ENTREVISTA

Feminista negra, Patrícia Santiago quer levar pautas da juventude para a Câmara Federal

Mulher negra, feminista, do interior, que conseguiu ter perspectiva de vida a partir dos movimentos sociais e do fortalecimento da educação que viveu especialmente nos governos do PT. Com essas credenciais, Patrícia Santiago, de 27 anos, quer levar um programa para aumentar ainda mais os espaços de poder das mulheres e negros.

Filiada ao PCdoB e dirigente do seu braço de juventude, a UJS, diz que ter conhecido o movimento estudantil foi o grande trunfo da vida. “Ter tido contato com a luta social foi o que me fez ter perspectiva de vida, porque sendo filha mais velha de 10 irmãos, do interior do Estado, qual era o futuro que eu poderia ter? Mas os movimentos sociais me apresentaram outra perspectiva que me fez ampliar os horizontes e me trouxe até aqui”, afirma.

Ela, que já foi candidata a vereadora de Carnaubais em 2016, cidade em que nasceu, e a deputada federal em 2020, diz que uma das motivações para a nova empreitada é ajudar o PCdoB, com o intuito de superar a cláusula de barreira. Além disso, outro objetivo é fazer com que mais pessoas como ela ocupem a política. 

“Pessoas comuns, de origem popular, e sobretudo os segmentos que nós temos colocado como sendo porta-voz: a juventude, as mulheres negras, da população negra em geral. Essas são pautas que nossa candidatura tem debatido mais e tem investido mais tempo pensando em propostas e plataforma política”, afirma. 

Até este ano, Patrícia ocupava o cargo de subsecretária de juventude da Secretaria de Estado das Mulheres, da Juventude, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos (SEMJIDH), função da qual se descompatibilizou recentemente. Ao assumir o cargo e fazer um diagnóstico das políticas públicas para a juventude, notou que não havia nenhuma consolidada para este público no Rio Grande do Norte. Por isso, a secretaria empreendeu e realizou as etapas municipais da Conferência Estadual de Juventude, para levar um programa dos jovens adiante. 

“Foi um processo muito rico. A gente vê, em muitos discursos, as pessoas dizerem que a juventude não gosta de política. Só que a gente viu um processo contrário”, defende. Ao chegar aos eventos, diz que se deparava com um público de 100 a 200 jovens, mesmo nas pequenas cidades.

“Foi muito enriquecedor e acabou culminando na 4ª Conferência Estadual de Juventude que aconteceu no final de maio, e que apontou a construção do Plano Estadual de Juventude, que vai ser o primeiro plano estadual de juventude que vamos ter implementados no Estado”.

Filha dos governos progressistas do PT, acompanhou as mudanças trazidas pelos dois governos Lula e pelo governo Dilma, como o Bolsa Família e as cotas raciais. Por isso, defende que a vitória de Lula deve acontecer já no primeiro turno. 

“Entrei na UFRN através das cotas, então tive oportunidade de crescer nesse governo e foi o que me fez ter acesso à universidade e às diversas políticas públicas que agora a gente tá vendo sendo desconstruídas”, pontua, em referência ao governo Bolsonaro.

“O cenário que a gente está vendo, das pessoas desempregadas, subempregadas, passando fome, é o que está fazendo com que a gente tenha mais facilidade de uma eleição de um candidato como Lula. Não está ganho, mas a gente precisa trabalhar diuturnamente para garantir essa eleição”, assevera. 

Confira o Programa Balbúrdia e a entrevista completa:

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