DEMOCRACIA

Em tom de ameaça, deputado do RN eleito nas urnas conclama golpe militar: “mochila e coturno estão prontos”

O deputado federal reeleito General Girão (PL) foi às redes sociais questionar o resultado das eleições e defender as manifestações em favor de intervenção militar que acontecem desde que Lula (PT) venceu o pleito. Neste domingo (6), o general ainda sugeriu a tomada de um golpe militar, afirmando que “a mochila e o coturno estão prontos”. O questionamento à legitimidade da votação acontece mesmo ele tendo sido eleito deputado duas vezes por meio do voto.

Reclamando de uma suposta “ditadura do Judiciário”, Girão criticou as medidas do Supremo Tribunal Federal (STF) adotadas pelo ministro Alexandre de Moraes, e disse que “a censura está mais abrangente do que nunca (…), ‘rasgando’ nossa Constituição desde a prisão do Dep Daniel Silveira”. 

Defensor de pautas inconstitucionais, Silveira foi acusado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) de coação durante o processo, incitação à animosidade entre as Forças Armadas e o Supremo e tentativa de impedir o livre exercício dos poderes da União.

Em seguida, Girão defendeu os atos antidemocráticos realizados por golpistas de extrema-direita, apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (PL), que não aceitam o resultado das eleições. Em Natal, os bolsonaristas já interditaram a BR-101 e atualmente realizam um acampamento em frente ao Batalhão do Exército, na Av. Hermes da Fonseca.

Para o deputado, os atuais atos antidemocráticos se tratam de “indagações totalmente claras e que merecem uma resposta legal ou anulação do pleito”. A segurança das urnas eletrônicas é atestada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que realiza auditoria e fiscalização das urnas e nunca comprovou nenhuma fraude. 

Entidades internacionais que acompanharam o pleito também asseguraram o trabalho do TSE. A Organização dos Estados Americanos (OEA) frisou o “alto nível de profissionalismo e solidez, que lhe permitiu realizar com sucesso um processo eleitoral em um contexto complexo, marcado pela polarização, desinformação e ataques às instituições eleitorais”.

Por fim, Girão criticou o trabalho da imprensa e, em seguida, sugeriu que as Forças Armadas intervissem no processo eleitoral. 

“Enquanto isso, somente é possível ler ou ver algo se formos nas emissoras internacionais ou mídia independente. Nossa ‘mídia marrom’ se omite também de forma criminosa ou passiva/vendida. A única luz no fim do túnel está nas mãos das FFAA. A mochila e o coturno estão prontos!”, pontuou.

As indagações do deputado sobre a votação acontecem mesmo ele próprio tendo sido eleito deputado federal por duas vezes. Em 2018, Girão chegou à Câmara dos Deputados após receber 81.640 votos. Neste ano, a votação caiu, mas ele ainda conseguiu renovar o mandato: registrou 76.698 votos.

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