O BraZil de Lira e o Brasil de Lula: quem vencerá?
Natal, RN 23 de abr 2024

O BraZil de Lira e o Brasil de Lula: quem vencerá?

6 de setembro de 2023
5min
O BraZil de Lira e o Brasil de Lula: quem vencerá?

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Arthur César Pereira de Lira. Esse é o nome do atual presidente da república (de bananas) do BraZil e, por enquanto, é presidente da Câmara de Deputados do Brasil. O Arthur é o chantagista oficial da nossa república, mas ele chantageia porque tem poder. E o poder deriva diretamente de um sistema político estrambólico e de um sistema eleitoral apodrecido. Lira não é o BraZil das urnas, mas o Brasil real de um Estado, campo real da luta de classes nessa quadra histórica.

Essa figura sombria não surgiu do nada. Não veio de uma dimensão alternativa. Lira é produto direto de uma sistema (sempre o sistema!) oligárquico erguido e consolidado no Nordeste. Seu pai, Benedito Lira, atual prefeito da pequena cidade de Barra de São Miguel, em Alagoas, que não chega aos 10 mil habitantes, é um personagem conhecido da vida política alagoana e que veio diretamente dos apoiadores da Ditadura.

Como todo “bom” oligarca, lançou seu rebento na político, Arthur, em 1993, quando este tinha apenas 24 anos, para vereador em Maceió, uma prática corriqueira das elites locais e ele foi eleito e em 1999 o jovem vereador foi eleito deputado estadual e, acreditem, pelo PSDB de FHC. Mas não se assustem! As siglas partidárias, no Brasil são valhacoutos para toda espécie de gente, salvo algumas raras exceções.

Filiou-se ao Partido Progressista (PP) em 2009, e elegeu-se deputado federal em 2010, sendo reeleito em 2014 com 98 231 votos, o quarto mais votado de seu estado. Foi líder de seu partido na Câmara entre fevereiro de 2012 e outubro de 2013. Nesse trajeto Lira foi esperto o suficiente para se acoplar nas ondas que surgiram na época, e o movimento de junho de 2013 foi uma oportunidade para que o reacionarismo se revelasse plenamente, e Lira entrou nessa onda, o que também não é novidade.

Indo para a Babilônia (Brasília), Lira integrou-se rapidamente no Exército da Rapinagem, o “centrão”, que disputava com o MDB a alcunha de mais oportunista, e lá soube ser ouvido. Lira trouxe os ensinamentos da velha escola fisiológica das oligarquias nordestinas e juntou as práticas do novo reacionarismo e, com a sociedade em choque, encontrou guarida nessa sombra.

O fisiologismo de Lira foi exercido plenamente quando da sua alianças perniciosa com Eduardo Cunha. Um do PP e outro do PMDB. Se Lira foi aliado de Cunha, não fez grandes esforços para salvar o primeiro da queda. Lira, agora um nome importante do “centrão”, fez o “correto”, do ponto de vista dessa turba: aderiu com plumas e paetês ao extremismo bolsonarista.

Sua recompensa veio em 2021, quando foi eleito, com o apoio do fascista Bolsonaro, presidente da Câmara de Deputados. Durante o seu mandato, Lira recebeu mais de 140 pedidos de impeachment do presidente Jair Bolsonaro, mas decidiu não levar nenhum deles a votação.

Durante o mandato de Bolsonaro, foi criado "orçamento secreto", que facilitou o uso de recursos por deputados, mas de uma forma obscura. Com essa artimanha, Lira, de forma espetacular, se tornou uma das figuras mais poderosas da república (de bananas). Não foi à toa que foi reeleito o deputado federal mais votado de Alagoas, em 2022.

Com esse poder, Lira pode atuar, de forma muito pouco discreta, para indicar seus cupinchas nas centenas de cargos federais, Brasil afora e criar uma poderosa rede de interesseiros, boa parte deles abrigados em mandatos.

Como um camaleão com o espinho do escorpião, Lira abandonou seu aliado, Bolsonaro, e viu em Lula uma nova oportunidade de “fazer negócios”. E é isso que vem fazendo. Negocia, ameaça, se porta moderadamente, bate o pé, tudo com a cara de pau peculiar dos “negociantes das elites”. Lira é a expressão de uma sociedade que paga, no presente, pelo que se construiu no passado. Somos seus prisioneiros. Lira é nosso pesadelo.

É verdade que nunca tivemos grandes exemplos na presidência da Câmara de Deputados, mas Lira e sua caterva conseguiu, sob a leniência da esquerda, montar um esquema de corrupção ancorado no próprio orçamento e nunca é ruim lembrar que o “orçamento secreto” veio depois da implementação das “emendas suplementares”, autorizando a transferência direta a estados, municípios e ao Distrito Federal, de recursos de emendas parlamentares individuais ao Orçamento, a Emenda Constitucional 105, também em 2019. E isso foi ANTES da eleição de Lira à presidência da Câmara. Lira encontrou o esquema pronto. Foi só colocar em funcionamento de forma eficaz.

Em 2020, com sutis mudanças, o presidente da Câmara, que tem poder sobre as comissões, passou a negociar recursos orçamentários diretamente com “seus” deputados. Nasceu o “partido do orçamento secreto”, a mais poderosa máquina parlamentar já vista na história do parlamento e Lira foi emponderado por essa dinheirama.

Em 1988, o cientista político Sérgio Abranches atribuiu ao sistema político brasileiro a especificidade de combinar representação proporcional, pluripartidarismo e um "presidencialismo imperial", organizado em grandes coalizões multipartidárias e regionais. É justamente essa combinação que caracteriza, segundo o autor, o regime institucional brasileiro como um "presidencialismo de coalizão", indicando a incapacidade do Executivo de viabilizar políticas públicas sem o apoio do Congresso Nacional.

Pois é. Passamos de um “presidencialismo de coalizão”, para um “presidencialismo chantageado”, que só se encerrará quando o Orçamento voltar a ter uma natureza transparente e os deputados percam esse poder coronelístico, de ter dinheiro público para comprar votos.

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