Rafael Motta ​reescreve (para pior) narrativa da campanha eleitoral
Natal, RN 23 de jul 2024

Rafael Motta ​reescreve (para pior) narrativa da campanha eleitoral

14 de novembro de 2023
3min
Rafael Motta ​reescreve (para pior) narrativa da campanha eleitoral

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Um dos assuntos políticos na semana nessa fazenda iluminada, como mestre Câmara Cascudo chamava Natal, foi o convite feito pelo prefeito da capital Álvaro Dias para que o ex-deputado federal Rafael Motta assuma a cadeira de secretário municipal de Esportes.

Não chegou a ser exatamente uma surpresa já que eles vinham mostrando afinidade politica insuspeita e até firmado aliança.  O que surpreendeu foi o embarque tão absoluto do jovem pesebista no controverso governo Álvaro. Mais que isso. A facilidade com que Rafael pulverizou suas narrativas com que construiu a campanha para o Senado na eleição de exatamente um ano atrás.

Rafael lançou-se candidato a senador de maneira quase outsider e à revelia do seu grupo político.  À época, o grupo (de esquerda, liderado no estado pela governadora Fátima Bezerra) tinha como candidato ao Senado o ex-prefeito de Natal Carlos Eduardo Alves, que liderava as pesquisas e polarizava com o candidato bolsonarista Rogério Marinho.

A candidatura de Rafael desagradou ao grupo PT/PMDB/PDT e provocou uma fissura já que parte da militância da esquerda não queria votar em Carlos (que por sua vem havia aderido de leve ao bolsonarismo em 2018 para tentar vencer Fátima, o que não aconteceu).

Enfim, o que aconteceu todos sabemos. Na reta final Rogério venceu para o Senado com o eleitorado esquerdista dividindo os votos entre Carlos e Rafael. Que insistiu na narrativa de independência e jovialidade, inclusive rejeitando com veemência a extrema-direita e "colando" em Lula e Geraldo Alckmin, assumindo pautas progressistas e uma postura arrojada, até para se diferenciar de Carlos, ungido por Lula e Fátima mas com um jeitão de político convencional que Rafael não ​tem. Ou não tinha.

​Para lembrar: Rogério teve 708.351 votos contra 565.235 de Carlos e 385.275 votos de Rafael. Juntos, Carlos e Rafael obtiveram quase duzentos mil votos a mais que Rogério.

O fato é que à época analistas políticos mais racionais que passionais observaram que, ainda que involuntariamente, Rafael havia contribuído com a vitória de Rogério ao dividir o voto do eleitorado de esquerda e se colocar como autêntico candidato progressista, em contrapartida a Carlos que, segundo ele, seria, no mínimo, "de centro".

Um ano depois Rafael entra de cabeça no governo Álvaro que, ainda que tenha aderido de leve a Lula, continua sendo um político de esquerda e faz campanha ao lado do bolsonarismo.

É certo que sem mandato, Motta tem que garantir espaço e sobrevivência política, mas, perdeu por completo a narrativa que insistiu em 2022. Quem votou nele por não "engolir" Carlos (por não ser realmente de esquerda, diziam) tem e terá de vê-lo ao lado de Álvaro com frequência. A política é dinâmica, claro. A narrativa, infelizmente, também.

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