Vazamento de óleo no litoral do RN tem “severos impactos ecológicos”
Natal, RN 21 de jul 2024

Vazamento de óleo no litoral do RN tem “severos impactos ecológicos"

4 de novembro de 2023
4min
Vazamento de óleo no litoral do RN tem “severos impactos ecológicos
Óleo na praia da Barra de Tabatinga, no Rio Grande do Norte | Foto: Divulgação/Marinha do Brasil

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As manchas de óleo cru que atingiram o litoral brasileiro entre 2019 e 2020 tiveram graves consequências e ainda são um risco para a sustentabilidade dos oceanos, inclusive na área do Rio Grande do Norte. Um artigo do Instituto de Ciências do Mar (Labomar) da Universidade Federal do Ceará (UFC), em parceria com a Universidade Federal Rural do Semiárido (Ufersa)  condensa série de estudos que apontam os danos.

“Severe ecological impacts caused by one of the worst orphan oil spills worldwide” foi publicado no periódico internacional Marine Environmental Research.

Esponjas, corais, moluscos, crustáceos, poliquetas, equinodermos, tartarugas, aves, peixes e mamíferos foram atingidos. Os pesquisadores identificaram ingestão de óleo, mudanças na proporção sexual e tamanho dos animais, anormalidades morfológicas de larvas e ovos, mutações, alterações comportamentais e morfológicas, contaminação por hidrocarbonetos aromáticos policíclicos e mortalidade. 

“Pelo menos 35 espécies ameaçadas, entre tartarugas, peixes, aves migratórias e corais foram atingidas, incluindo elasmobrânquios (como tubarões e raias), peixes, invertebrados, pássaros migratórios, tartarugas marinhas e mamíferos marinhos como golfinhos e peixes-boi. De acordo com nossa revisão, o Ibama registrou, até março de 2020, 159 animais encobertos pelo óleo, com muitas mortes”, detalha a chefe do laboratório de Ecologia Marinha da Ufersa, a professora Emanuelle Fontele Rabelo, que divide a autoria do trabalho com o professor do Labomar-UFC Marcelo O. Soares.

Praia do Coruripe, em Alagoas | Foto: Adriano Machado/ Reuters

Também foram observadas diminuição da biodiversidade e abundância de animais sensíveis ao petróleo, aumento de organismos oportunistas e tolerantes ao petróleo e uma simplificação das comunidades e outros efeitos negativos. 

“Buscamos elencar as principais consequências e apontar quais lacunas ainda devem ser preenchidas para o melhor entendimento do efeito dessa tragédia no ambiente. O derramamento do óleo ocorreu no final de 2019 e 2020, e agora, quatro anos depois, já temos os primeiros resultados dessa tragédia”, garante a pesquisadora, doutora em Ciências Marinhas Tropicais.

Emanuelle Fontele lembra que os dados apontam que entre 5 milhões e 12,5 milhões de litros de petróleo foram disseminados ao longo de quase 3 mil quilômetros da costa brasileira por esse derramamento, atingindo 11 estados brasileiros.

Na época, foram recolhidas 5 mil toneladas de petróleo que atingiram até mesmo Unidades de Conservação como parques e áreas de proteção ambiental em uma área de 6.048,92 quilômetros quadrados. As manchas de óleo invadiram diferentes habitats como bancos de rodolitos, praias, bancos de gramas marinhas, estuários com manguezais e principalmente recifes de corais e recifes entre marés (estes últimos concentrando 78,6% dos estudos).

Praia de Santa Rita, no RN | Foto: José Aldenir/ Folhapress

Ainda faltam estudos

A professora da Ufersa ressalta que ainda faltam muitos estudos para se conhecer os efeitos a médio e longo prazo, principalmente ambientes como recifes de corais, e áreas mais profundas. “Outra lacuna é em relação ao efeito na população humana, ou seja, como o derramamento de óleo compromete a saúde de populações de pescadores, e pessoas que consomem os recursos marinhos contaminados pelo óleo”, completa.

O que deve ser feito

O artigo aponta que é preciso desenvolver planos de contingência de derramamento de óleo adaptados às necessidades de cada região, com respostas rápidas e eficientes para minimizar os danos causados por eventuais novos vazamentos.

“Nosso estudo aponta que uma das estratégias, além dos estudos contínuos, é uma rápida mobilização do governo diante de acidentes como esses, o que pode minimizar os efeitos nocivos de derramamentos futuros de óleo sobre ecossistemas e seres humanos”, destaca Emanuelle, indicando ainda que os impactos chamam atenção para a necessidade de “descarbonização da economia”.

“A diminuição da necessidade de combustíveis fósseis pode reduzir significativamente o risco de novos e graves derramamentos de óleo no oceano, por diminuir o transporte desse material entre continentes”, alerta.

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