“Nova Ribeira” que viralizou ganha audiência na Câmara de Natal
Natal, RN 26 de fev 2024

“Nova Ribeira” que viralizou ganha audiência na Câmara de Natal

4 de dezembro de 2023
5min
“Nova Ribeira” que viralizou ganha audiência na Câmara de Natal
Projeto é do fotógrafo e artista digital Ronkaly Souza | Foto: reprodução @ronkalt

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As imagens de uma “Nova Ribeira” imaginada pelo artista digital Ronkaly Souza, que viralizaram na internet criadas por meio de inteligência artificial, viraram tema de audiência pública na Câmara Municipal de Natal.

A iniciativa foi uma proposição da Comissão de Legislação, Justiça e Redação Final. A “Nova Ribeira” é uma série imaginativa do fotógrafo e artista digital que restaura digitalmente o bairro da Ribeira, na zona leste da capital. Com o uso da inteligência artificial, Souza buscou propor novos espaços a partir de antigas construções que poderiam fomentar o turismo e a economia da cidade. 

Para isso, um prédio desgastado próximo à antiga rodoviária vira um cinema; um restaurante ocupa o lugar em que hoje só existe mato; um bondinho ganha as ruas estreitas, e por aí vai.

A audiência pública aconteceu nesta segunda-feira (4) e foi chamada de “Uma nova Ribeira - uma semente plantada no coração dos natalenses”. No encontro, parlamentares, empresários e pesquisadores discutiram as dificuldades e soluções envolvidas na revitalização do bairro histórico de Natal, com o intuito de promover o desenvolvimento econômico, social, turístico e também usá-lo como uma estrutura de lazer, de entretenimento e cultura para a região.

Segundo Thiago Mesquita, titular da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo (Semurb), existe um entrave em relação às regras de restauro do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). 

“O processo hoje de autorização do IPHAN demora anos. Imagine quem vai investir ter que gastar 20 vezes mais para restaurar um imóvel do que se ele tivesse com a mesma metragem construindo em uma área adensável em outro bairro de Natal.  Então, isso inviabiliza economicamente, gera atraso e a gente precisa realmente ir direto no foco, tentar melhorar essa relação de portarias nacionais do IPHAN para se ter a viabilidade econômica”, justificou.

Ruth Ataíde, professora do Departamento de Arquitetura da UFRN, lembrou que outras iniciativas imaginando a revitalização da Ribeira já foram apresentadas, mas os projetos não tiveram continuidade.

Um destes, segundo a docente, foi o concurso urbanístico UrbanLab, feito pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Em 2017, o projeto “Olhos da Ribeira“, produzido por alunos da UFRN, foi o vencedor do concurso e o então prefeito Carlos Eduardo participou da cerimônia em Washington, na capital dos Estados Unidos.

O foco do projeto era a entrada dos pequenos investidores para financiar ações de revitalização para a Ribeira. A proposta abriria a possibilidade dos próprios natalenses serem uma espécie de “sócios” da cidade. O projeto dos representantes potiguares convenceu a comissão julgadora formada pelo BID e acabou derrotando os outros dois finalistas: os projetos “Reviva Ribeira”, feito por alunos da Universidade de São Paulo (USP), e “Retoma Ribeira“, de estudantes da Universidade de Brasília (UnB).

“O concurso era de ideias, e Natal ganhou porque a Semurb de forma muito inteligente e organizada candidatou Natal”, disse Ataíde, que continuou:

“Esse projeto sequer foi publicado na plataforma da Semurb. Tem um livro feito pela equipe, e a iniciativa origem foi da Prefeitura. Nada mais coerente do que fechar a publicação estando lá, mas sequer está publicado. No início da gestão atual, nós fomos convidados para uma conversa com o prefeito e vários secretários. Até hoje estamos aguardando. A equipe nem existe mais como equipe, mas o projeto teve a gênese na Prefeitura”, afirmou a docente.

Para o secretário da Semurb, a Prefeitura está investindo quase R$ 30 milhões na revitalização da Avenida e do Contorno próximos à Pedra do Rosário, além da revitalização de praças da região. Ele também disse que o Plano Diretor de Natal criou uma zona de requalificação urbana, dando incentivos construtivos urbanísticos na Ribeira, Cidade Alta e Alecrim. 

“Isso tem gerado uma nova procura por essas áreas e também estabeleceu a possibilidade de parcerias público-privada mediante um instrumento chamado de arrecadação de imóveis abandonados, imóveis que estão há mais de 5 anos recolhidos. Há um esforço muito grande do poder público municipal”, falou Mesquita.

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