Dia 2 de fevereiro: dia de Iemanjá, a divindade que une crenças
Natal, RN 5 de mar 2024

Dia 2 de fevereiro: dia de Iemanjá, a divindade que une crenças

2 de fevereiro de 2024
4min
Dia 2 de fevereiro: dia de Iemanjá, a divindade que une crenças
Foto: Capa Iemanjá negra BBC News Rafael Martins/AFP via Getty Images / Estátua na Praia do Meio: Prefeitura de Natal

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Nem só datas cristãs fazem parte do calendário religioso no Brasil. Hoje (2), faz 101 anos em que é celebrado o Dia de Iemanjá. Considerada a data mais celebrada da cultura afro-brasileira, com origem na Bahia e espalhada por todo o Brasil.

Segundo o juremeiro, Marcuse de França, coordenador do Fórum Inter-religioso do RN, Olóyè na Tradição Nagô-Vodun do Candomblé, o orixá (divindade) Yeye awọn eja ("Yemonja") que significa "a mãe cujos filhos são peixes" já era cultuada em África muito antes dos africanos serem trazidos à força para o Brasil, para o mais longo processo de cativação que ocorreu na história, com seus 350 anos de escravização.

É uma festividade que tem várias dimensões. Por exemplo, em Pernambuco, há o sincretismo com Nossa Senhora da Conceição e se comemora no dia 8 de dezembro. É importante ressaltar que foram diferentes culturas trazidas da África para o Brasil e que tiveram de resistir e lutar para se manter vivas. Aqui no Rio Grande do Norte existem uns três pólos de festividades (povos de terreiro) que começam hoje (2) e vão até o domingo, explica.

O religioso explica que Yemanjá (ou Iemanjá) pertence a inúmeros universos mitológicos no Brasil e em outros países como Cuba, Estados Unidos, dentre outros. Yemanjá está inserida no Candomblé Nagô, Angola, Jeje, Ketu; bem como na Umbanda brasileira, que recebe influência Bantu. E isso culminou, especialmente no Brasil, com muitos sincretismos, inclusive com um "esbranquiçamento" do orixá.

"Com uma Yemanjá com feições pouquíssimo africanas, esbranquiçada, numa tentativa de se moldar à valorização do que é branco".

Inclusive, o religioso e pesquisador leva à reflexão quando explica que a dimensão africana no Brasil é, sem dúvida, um fato concreto na nossa cultura, seja na comida, na música ou nos costumes; entretanto, "aceita numa dimensão lúdica", e não filosófica ou religiosa.

Estátua de Yemanjá na Praia do Meio com feições brancas

Ele ressalta que antes dos Europeus chegarem por aqui, já existiam pelo menos 5 milhões de habitantes (os povos originários) no Brasil, que depois se misturaram aos negros vindos de África. Então, reconhecer a contribuição desses povos, tanto os indígenas, quanto a filosofia África tem sido uma dificuldade muito grande. "Inclusive em muitos universos acadêmicos, onde se desconhece os pensadores desse enorme continente, levando em consideração "como única" as raízes filosóficas do ocidente, como a grega, por exemplo, como já alertava o antropólogo e historiador Cheikh Anta Diop. Ele está se referindo ao pensador que, em 1948, ainda estudante em Paris, defendeu num artigo publicado na revista Le Musée Vivant, a ideia que ele perseguiria por toda a vida, em sua carreira política e acadêmica: "o conceito de uma África nacionalmente unida sob o guarda-chuva de uma herança cultural exclusivamente africana".

Oferendas conscientes

Em se tratando das oferendas para o Dia de Yemanjá e, em tempos em que é tão importante a preservação dos mares e rios, Marcuse de França diz que as comunidades de terreiro já se orientam para fazer suas oferendas com materiais biodegradáveis, evitando usar poluentes como plástico e isopor. Inclusive, ele deixa a sugestão para aquelas pessoas que cultuam o dia de Yemanjá, mas que não são de comunidades de terreiro: que evitem poluir o mar ou os rios.

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