Muçulmanos celebram o fim do Ramadã em Natal
Natal, RN 24 de mai 2024

Muçulmanos celebram o fim do Ramadã em Natal

11 de abril de 2024
5min
Muçulmanos celebram o fim do Ramadã em Natal
Imagem: cedida/CERAM.

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Ramadã é o nome dado ao nono mês do ano da religião islâmica, que é regida pelo calendário lunar. Neste ano, a data iniciou em 11 de março, e o seu fim foi celebrado nesta quarta-feira (10), em todo o mundo, em uma cerimônia realizada ao pôr do sol que os muçulmanos chamam de Eid al-Fitr, que significa  “celebração do fim do jejum”. Em Natal, os muçulmanos celebraram o último dia do Ramadã na mesquita Omar, localizada no bairro Alecrim. Atualmente, um Projeto de Lei (PL) da deputada estadual Divaneide Basílio (PT) propõe a inserção do Eid al-Fitr no calendário oficial do estado do RN.

Além dos fiéis, também estiveram presentes na atividade a deputada estadual Divaneide Basílio (PT), o Comitê Estadual Intersetorial de Atenção aos Refugiados, Apátridas e Migrantes do RN (CERAM/RN) e a Secretaria de Estado das Mulheres, da Juventude, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos (SEMJIDH).

Muhamad Tawfik, palestino brasileiro que vive em Natal, explica que o Eid al-Fitr, festa de encerramento do Ramadã, é uma forma de agradecer a Allah (Deus no Islã) pelo período de jejum, bem como por sua finalização. “A gente celebra agradecendo a Deus, nosso criador, por ter nos dado forças para jejuar, pois o jejum não é fácil”, narra. “Agradecemos a Deus por nos ter agraciado com um mês de perdão e arrependimentos”. Além disso, durante a celebração, os fiéis são gratos pela comida que os possibilitam quebrar o período de jejum.

A palavra Ramadã significa “calor escaldante”, e o jejum durante esse período é obrigatório para todos os muçulmanos, como explica Tawfik. Ele ainda revela que o período do jejum começa por volta das 4h da madrugada e vai até às 17h30. Apenas alguns fiéis podem abster-se de jejuar, como idosos e pessoas com doenças.

Tawfik ressalta que a pessoa com doença crônica que não pode realizar o jejum durante esse período deve alimentar uma pessoa necessitada por dia durante o Ramadã “Dessa maneira, Deus vai entender como se essa pessoa [o fiel] tivesse jejuado. Mas se essa pessoa doente não tiver condições para pagar as refeições, basta pedir perdão a Allah, que terá a recompensa de jejuador”.

Mas é importante entender que o jejum no Ramadã não é somente sobre abster-se de comer, beber, fumar, tomar remédios e ter relações sexuais, mas também trata-se de um período no qual o fiel não deve cultivar “pensamentos ruins, rancor e ódio no coração ou cometer atos que desagradam ao nosso criador”, como pontua Tawfik. “Então não é só um jejum físico, mas também espiritual”.

O mês do Ramadã é de solidariedade, arrependimentos, caridade, amor e amizade. Esse momento é importante para os muçulmanos pois está relacionado ao período em que o Alcorão, livro sagrado que representa a palavra de Allah, foi revelado. “O Alcorão contém as palavras de Deus, que foram enviadas para o profeta Muhammad por meio do anjo Gabriel. No Ramadã tem o início da mensagem do Islã”, explica Tawfik.

O jejum no mês do Ramadã é um dos cinco pilares do Islã. Como descreve Tawfik, ao todo, os pilares consistem em:

  • Testemunho da fé, com um Deus único (em árabe, Allah) e Muhammad como seu último profeta e mensageiro;
  • A prática de cinco orações diárias;
  • Praticar o jejum durante o mês do Ramadã;
  • As pessoas que têm condições de ajudar os mais pobres devem praticar a caridade;
  • Peregrinação à cidade sagrada de Meca, se o fiel tiver condições financeiras.

No período do Ramadã, de acordo com Tawfik, os fiéis devem esquecer a vida mundana e se concentrar na adoração a Deus. “Não quer dizer que durante o ano a gente não adore a Deus, mas no Ramadã a gente tem que se esforçar mais na adoração ao nosso Criador”, detalha.

Projeto de Lei inclui fim do Ramadã no calendário oficial do RN

Nesta quarta-feira (10), foi protocolado o Projeto de Lei (PL) de autoria da deputada estadual Divaneide Basílio (PT) inclui no calendário oficial de datas comemorativas do Rio Grande do Norte o Eid al-Fitr, ou fim do Ramadã, a ser comemorado anualmente de acordo com a data definida pelo calendário islâmico.

De acordo com o projeto, a justificativa para essa inclusão se dá por “princípios de respeito à diversidade religiosa, promoção da inclusão e valorização da pluralidade cultural da sociedade.” 

“Ao instituir o Eid al-Fitr como uma data comemorativa oficial, o Estado Potiguar reconhece a importância do Ramadã para a comunidade muçulmana, promove a compreensão intercultural e reforça os valores de tolerância e respeito religioso”, diz o PL.

Além disso, a questão da economia e do turismo também é uma das justificativas apresentadas pelo projeto. “A celebração do Eid al-Fitr como uma data comemorativa oficial também pode ter impactos positivos na economia local, através do estímulo ao comércio e turismo, bem como na promoção do diálogo inter-religioso”, afirma o PL da deputada.

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