Mulheres se unem em coletivo para manter a arte de ser palhaça
Natal, RN 24 de mai 2024

Mulheres se unem em coletivo para manter a arte de ser palhaça

24 de março de 2024
4min
Mulheres se unem em coletivo para manter a arte de ser palhaça

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Com o objetivo de unir forças e dar visibilidade às mulheres que atuam como palhaça, nasceu em Natal o coletivo da Rede de Palhaçaria Feminina. Atualmente, a rede possui cerca de 40 mulheres que se encontram mensalmente para treinar e compartilhar técnicas da arte de fazer rir. Os encontros também acontecem virtualmente com mulheres de outros municípios do Rio Grande do Norte. Nessas reuniões, as artistas desenvolvem práticas circenses, como teatro corporativo e contação de história. 

Sempre me senti muito sozinha enquanto atuante, como palhaça. Eu tenho algumas amigas que atuam na área aqui no Rio Grande do Norte, mas tanto eu quanto elas, temos pouco espaço no mercado de trabalho, e a gente acaba trabalhando sozinha”, comenta a artista Juliana Modro, que idealizou, fundou e dirige o coletivo. 

A palhaça Fiorella - nome artístico de Juliana - é natural de Campinas, São Paulo, e já viajou por todo o país com teatro infantil, contação de histórias e palhaçaria. Artista independente que atua como palhaça no meio circense desde jovem , Juliana conta que a motivação do trabalho que desenvolve é "resgatar a sua criança interior, causar uma euforia interna e ressignificar as dores".

Em conversa com a Agência Saiba Mais, Juliana conta um pouco da sua trajetória e como veio parar na Cidade do Sol.

“No ano de 2011 eu fui trabalhar em Brasília como palhaça em um hospital de lá, daí, ao final do projeto e do ano vim parar aqui natal e acabei morando no Circo Grock. Fiquei atuando como palhaça e produtora, fazendo um pouco de tudo. Permaneci por um tempo no Circo Grock até ele seguir a sua itinerância, e eu permaneci morando aqui Natal”, explica Modro.

Apaixonada pelo circo e suas técnicas, Juliana ingressou no ramo da palhaçaria em um processo de autoconhecimento. Segundo a artista, foi a palhaçaria que a ensinou a lidar com pessoas e com ela mesma. “A palhaçaria foi o que me trouxe para esse universo, de entender quem eu sou enquanto pessoa. Me ensinando a lidar com os outros não só artisticamente, mas também enquanto atuante, artista e pessoa”, afirma. 

União da fé e da força

Além de destacar a palhaçaria feminina do RN, o coletivo também atua como uma rede de apoio e incentivo para mulheres circenses. “Hoje no Brasil já somos várias, mas aqui no Rio Grande do Norte a gente ainda não tinha essa força e eu me sentia muito sozinha toda vez que eu me apresentava. Além disso, quando tinha alguma apresentação ou outras manifestações circenses em Natal eu nunca era convidada”, lamenta Juliana.

O Coletivo Palhaçaria Feminina une mulheres palhaças do RN. Foto: Juliana Modro.

Foi a partir dos sentimentos de solidão e de exclusão que nasceu o coletivo, como forma de resistência. “A palhaçaria feminina é uma técnica muito nova, ela tem poucos anos, a gente tem menos de 50 anos enquanto história e nós enquanto palhaça fomos sempre excluídas dentro desse universo. Fui batendo o pé e insistindo na minha permanência, até descobrir que tem muitas mulheres que já trabalharam ou atuaram enquanto palhaças, mas não tem espaço no mercado”, pontua a palhaça Fiorella. 

Para ela, a união dessas mulheres por meio do coletivo proporciona mais afeto no meio circense. “A união vai além das técnicas, vem trazer a tona nossa criança interna com afeto, honrando a nossa existência feminina”, afirma a palhaça. 

Visibilidade Potiguar 

Uma das iniciativas do coletivo é o Projeto literário Histórias do Nosso Chão, que visa o destaque de autores potiguares. O projeto será lançado neste domingo, 24, na Feira Mandalar, em Pium, e apresenta livros de autores potiguares em forma de apresentação artística e “palhaçosa”, como Juliana descreve. 

O coletivo apresenta o projeto Histórias do Nosso Chão nesse domingo, 24. Foto: Juliana Modro.

A motivação para a criação do projeto surgiu a partir da curadoria feita pelo coletivo, que notou a dificuldade de alguns autores popularizarem seus livros. “Na feira, iremos apresentar livros que foram encaixotados e engavetados, alguns produzidos na pandemia, onde faremos a contação de história dos mesmos”, conta Juliana. A artista também apresenta, no evento, a palestra “Poder da Alegria”, que narra sua história de vida, em altos e baixos, de forma cômica.

Essa reportagem faz parte do projeto “Ser Mana, Mulher", idealizado pela Agência SAIBA MAIS para produção de pautas dedicadas a temas que impactam diretamente a vida das mulheres, ao tempo que contamos as histórias de Mulheres.

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