Mulheres Trans natalenses se destacam no mundo da moda
Natal, RN 30 de mai 2024

Mulheres Trans natalenses se destacam no mundo da moda

17 de março de 2024
6min
Mulheres Trans natalenses se destacam no mundo da moda

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O mundo da moda esteve, por muito tempo, ocupado por um grupo seleto de pessoas cis e brancas, deixando de fora todas aqueles que não se enquadram no padrão pré imposto. Carregado de tradicionalismo e conservadorismo da elite criativa, esse lugar nem sempre foi acolhedor para mulheres Trans, principalmente as negras. No entanto, mulheres como Brunna Vini, 27, empresária Trans e multiartista, têm revolucionado esses espaços.

“Trabalho para que outras pessoas, que se parecem comigo fisicamente, encontrem no meu ambiente de trabalho um lugar acolhedor. Busco sempre incentivar e impulsionar essas pessoas dizendo que elas conseguem”, afirma Bruna. Empresária nata, a artista conta que suas habilidades no mundo dos negócios surgiram ainda cedo, visto que sua família é composta por mulheres empreendedoras. 

Brunna se dedica atualmente a projetos artísticos envolvendo beleza e moda. Foto: Brunna Vini/ Divulgação. 

Com uma carreira consolidada no mundo da música, Bruna atualmente investe em trabalhos envolvendo beleza, moda e criatividade. Em conversa com a Agência Saiba Mais, ela conta como começou sua trajetória nesse ramo. “Iniciei fazendo alguns trabalhos para lojas aqui de Natal mesmo, como provadores e fotos. Sempre me interessei pelo mundo da moda, porque acho que podemos nos comunicar por meio da roupa. Além disso, eu assinava alguns projetos criativos de amigas que também são artistas, como a Dandarona [DJ e Produtora musical]. Daí surgiu a oportunidade de assumir a direção criativa de uma marca - a Lura”, explica Bruna. 

Após oito meses de imersão e trabalho atuando como Diretora Criativa, Bruna assinou sua primeira direção no mundo da moda com a marca Lura, o que ela afirma ser de grande potência. “As pessoas sempre me olham e perguntam se eu sou a modelo da marca ou estou em outra função, mas nunca a responsável pela direção do projeto. Assumir a liderança de algo é muito potente pra mim, porque eu mostro que como mulher Trans e preta também posso ocupar esses espaços”, destaca a empresária. 

Assumir papéis de destaque em ambientes de beleza e glamour é o que motiva Alna Nascimento, 27, que irá participar do concurso Miss Trans Internacional, representando o Brasil, em 2024. Antes de desfilar nas passarelas, em 2019 Alna tornou-se a  primeira mulher trans formada em um Instituto Federal. Após o egresso do IFRN, a ceará-mirinense ingressou numa agência de modelos natalenses, onde pôde conhecer mais sobre a atuação de modelos e entrar nesse mercado.

Formada em Multimídia pelo IFRN, Alna segue carreira como modelo e miss. Foto: Alna Nascimento/Divulgação

“Antes da agência de modelos, eu já possuía uma afinidade com a passarela, porque sempre participei de concursos no meu bairro e na escola. Todo mundo falava que eu levava jeito e tinha futuro nisso, e foi daí que eu comecei a trabalhar como modelo”, pontua Alna. 

Desde então, a Miss Trans Brasil tem se destacado no mundo das passarelas, tanto pela sua beleza avassaladora quanto pela sua determinação. Alna conta que além de trabalhar como modelo nas horas vagas, ela também se dedica aos estudos e à carreira profissional. “Penso em fazer faculdade de Moda ou de Inglês, porque já possuo uma certa aproximação com as áreas por causa do concurso que vou participar”, compartilha a Miss. 

Maiores que as estatísticas

Inclusão social, combate a violência e a transfobia fazem parte dos desafios da comunidade travestis e transexuais no Brasil, uns dos fatores que mais atinge a saúde mental de pessoas trans. Uma pesquisa realizada pelo Grupo de Ação e Pesquisa em Diversidade Sexual e de Gênero (Videverso) aponta índices de 31% a 50% de suicídio entre a população trans. 

Alna relata que seu processo de auto aceitação foi longo, com idas frequentes à psicólogos. “Na pandemia tive crises recorrentes de ansiedade e de pânico, e foi aí que comecei a ir na psicóloga, para trabalhar mais a minha saúde mental”, conta. Ela também comenta que foi a partir disso que começou a entender a sua luta como mulher trans e o seu papel na sociedade. 

Durante esse processo, Alna fundou o coletivo LGBTQIA+ Leilane Assunção, que tem como objetivo ajudar pessoas em situação de vulnerabilidade social. Além disso, a Miss também atua como comunicadora nas redes sociais, compartilhando conteúdo sobre aceitação. 

Formar novas redes de apoio por meio do seu trabalho e das suas redes sociais é uma das motivações de Brunna Vini. A empresária comenta que suas maiores incentivadoras são suas mães, uma biológica e outra de criação, e que é muito feliz por possuir um cenário diferente do comum entre mulheres Trans. “Tive muito apoio das minhas mães e fico feliz por poder incentivar outras garotas. Sempre me param em algum rolê falando que me seguem no Instagram e que eu as incentivo. Esse lugar de representatividade é que me move”, conclui Brunna. 

Essa reportagem faz parte do projeto “Ser Mana, Mulher", idealizado pela Agência SAIBA MAIS para produção de pautas dedicadas a temas que impactam diretamente a vida das mulheres, ao tempo que contamos as histórias de Mulheres.

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