CIDADANIA

Unidade Básica de Saúde de Ponta Negra continua sem vacina para covid-19 e segurança mais de uma semana depois de assalto

Até esta terça-feira (30), oito dias depois do assalto, no qual foram levadas 20 doses de vacinas para covid-19 da Unidade Básica de Saúde que atende o bairro de Ponta Negra e região, a UBS não teve seu estoque reposto.

“Muita gente liga e até vem a pé. Para quem está de carro tudo bem, mas temos uma população muito vulnerável, muitos idosos foram prejudicados, é bem heterogêneo aqui”, conta Meine Alcântara, enfermeira na UBS de Ponta Negra.

A unidade continua aplicando as demais vacinas previstas no calendário de vacinação, como no caso do tétano e hepatite B. Além de não ter tido o estoque reposto desde o assalto do dia 22, quem trabalha na unidade reclama da falta de solidariedade da Secretaria Municipal de Saúde e do Distrito Sanitário Sul, ao qual a UBS está subordinada.

“Nunca entraram nem em contato com a gente. Tivemos a solidariedade de vários locais, menos do nosso setor, que é a SMS e o Distrito Sul. Ficaríamos ao léu, se não fosse a solidariedade das organizações sociais com as quais trabalhamos e do sindicato. Nunca mandaram a guarda municipal aqui, nem sabemos quando o estoque será reposto”, denuncia Meine sobre a falta de vacinas para covid-19 para a população vulnerável da Vila de Ponta Negra, apesar dos novos postos drive-thru abertos pela prefeitura da capital.

Os funcionários que trabalham na unidade também estão indignados com as insinuações feitas pelo senador Styvenson Valentim (Podemos) de que o roubo das vacinas teria sido realizado pelos próprios servidores. Segundo Meine, a categoria está avaliando quais providências adotar quanto à posição do senador, que até hoje, não se desculpou pela fala.

Nós sofremos um assalto e no dia seguinte ele vai às redes sociais insinuar que o roubo teria sido feito pelos próprios servidores! Até hoje ele não pediu desculpas! É um absurdo! Estamos vendo o que pode ser feito enquanto a isso em termos de justiça”, desabafa a enfermeira.

Uma das preocupações na comunidade é com o idosos. Muitos não têm dinheiro para comer e estão recebendo apoio de entidades com cestas básicas.

No dia 7 de abril, Dia Mundial da Saúde, os trabalhadores farão um “ato-abraço” na unidade de saúde, seguindo todas as normas de distanciamento social, como uma forma de protesto por melhores condições de trabalho, segurança e num pedido coletivo para o retorno da vacina contra a covid-19 à UBS.

Precisamos garantir uma saúde digna para as pessoas vulneráveis que moram na Vila. Também faremos carta à presidência do Senado, à Comissão de Ética e à Comissão de Saúde do Senado pedindo explicações”, adianta Meine.

A agência Saiba Mais tentou, mas não conseguiu contato com a assessoria de imprensa da Secretaria Municipal de Saúde de Natal.

 

 

 

 

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