CULTURA

Ubu: três grupos potiguares fazem arrecadação para concluir espetáculo que aborda ganância de poder

Em ano de eleições, os grupos de teatro Clowns de Shakespeare, Asavessa e Facetas se uniram para criar um espetáculo que critica a sede de poder pelo poder. A estreia de “Ubu – o que é bom tem que continuar!” em Natal está prevista para outubro ou novembro. Mas ao contrário das campanhas eleitorais, a peça não tem financiamento e os artistas estão arrecadando fundos para finalização da montagem.

Os trabalhos começaram em fevereiro e faltam ainda recursos para materiais do figurino e da cenografia. Qualquer valor pode ser doado pelo pix pixdoubu@gmail.com (em nome de Deborah Custódio) e aqueles com valores acima de R$ 50 serão convidados para uma pré-estreia exclusiva em Natal.

No palco, Caju Dantas, Deborah Custódio, Paula Queiroz, Diogo Spinelli e Rodrigo Bico encenam a peça que tem direção e dramaturgia de Fernando Yamamoto e Camila Custódio como assistente de dramaturgia. O texto é inspirado no clássico “Ubu Rei” (1896), do francês Alfred Jarry, e que já tem como referência Édipo Rei, de Sófocles.

Foto: Emily Chacon

“É uma espécie de continuação da  peça original. No Ubu Rei, os dois personagens principais, digamos assim, Pai e Mãe Ubu, terminam fugidos da Polônia e nessa peça é como se eles tivessem chegado a um país imaginário fictício da América Latina. A partir daí a coisa se desenvolve. É uma obra de rua, uma obra bem popular, com música ao vivo”, conta Yamamoto.

O ator Rodrigo Bico também explica um pouco da história e destaca que não se trata de uma adaptação, mas sim, uma inspiração na obra de Jarry.

“De início eles não estavam afim de tomar o poder e de uma hora pra outra eles se cansam de uma vida às escondidas, de uma vida pacata, e acabam sendo motivados mais uma vez a chegar ao poder. Eles conseguem e enquanto estão governando esse país fictício, fazem de tudo pra se manter no poder e se perpetuar nele”, contou, antecipando se tratar de uma história muito crítica e “muito ácida”.

“Tem tudo a ver com o momento que o Brasil tá vivendo, o momento que a gente tá vivendo no país”, Bico resume, ao destacar que a direção musical é de Marco França, a produção é do grupo Clowns de Shakespeare, com Rafael Teles, e figurinos, do mossoroense Marcos Leonardo.

Foto: Emily Chacon

União de coletivos

Os grupos se uniram para retomar a criação de um espetáculo após alguns desfalques gerados pela pandemia em cada companhia. Ainda de acordo com Rodrigo Bico, diante da impossibilidade de fazer teatro presencial durante pelo menos dois anos, vários atores se comprometeram com outros tipos de projetos.

“A pandemia foi muito cruel com os grupos de teatro. É uma linguagem artística que depende muito do cotidiano, da presença das pessoas. É uma arte que depende da efemeridade do momento, onde as pessoas assistem ao vivo. É claro que os grupos realizaram atividades de forma remota, online, mas o que alimenta o teatro de fato é a relação direta com o público”, pontuou.
Foi então que os Clowns convidaram o Asavessa, um grupo novo que surgiu a partir de um laboratório de criação cênica no município de Parnamirim. E como a sede dos Clowns está no TeceSol, mesmo espaço da sala do Facetas, a soma foi natural.

“A gente resolveu trazer essa ideia da coletividade, dos grupos de teatro que se juntam pra montar um espetáculo, tem sido uma experiência muito bacana”, comemora.

Os três seguem também com seus próprios trabalhos de forma paralela. Segundo Rodrigo, parte dos Clowns estão em intercâmbio com um grupo de teatro da Bolívia; o Facetas está com temporada de circulação do espetáculo infantil “Sal Menino Mar” no Ceará; e o Asavessa está em processo de remontagem no espetáculo “Julieta mais Romeu”.

 

 

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Isabela Santos é jornalista e repórter da agência Saiba Mais