CIDADANIA

Moradores da Praia do Meio tentam apresentar à Prefeitura de Natal contrapropostas para requalificação da orla

A área da orla urbana de Natal que engloba as praias dos Artistas, do Meio e do Forte em breve passará por requalificação. O anúncio foi feito pela Prefeitura de Natal no dia 1º de setembro, mas desde então a Associação Cristã de Moradores e Amigos da Praia do Meio (AMA Praia do Meio) tenta acessar o projeto e propor mudanças.

Presidente da AMA Praia do Meio, o educador e ambientalista Milton França, conta que a associação pretende oficializar as proposições.

“Precisamos que a Prefeitura apresente o que está desenvolvendo e quanto já absorveram de ideias que informalmente fornecemos à Sempla [Secretaria de Planejamento] e à STTU [Secretaria de Mobilidade Urbana]”, reclama o professor, que é também conselheiro titular no Conselho da Cidade do Natal (Concidade), no Comitê Gestor da Orla, e coordenador do movimento ambientalista Mangue Vivo.

Milton França atua como representante comunitário popular em conselhos e no Projeto Orla Natal. Foto: acervo pessoal

Segundo ele, várias entidades do bairro Praia do Meio vão subscrever uma solicitação ao Executivo para que apresente o projeto atual, ao mesmo tempo que solicitará apoio técnico ao Fórum de Direito à Cidade e à Universidade Federal do Rio Grande do Norte para que ajudem a desenvolver a proposta.

“Comunitários querem estimular e participar de um projeto integrado de requalificação inclusiva da Orla Central de Natal tanto da Prefeitura quanto do Governo do Estado”, resume, ao acrescentar que também pretendem provocar o Estado, pois alguns equipamentos estratégicos estão subutilizados, como o Centro de Turismo de Natal. A ideia seria implementar um núcleo de educação e apoio ao turismo de base comunitária.

A Agência Saiba Mais questionou a Sempla por meio da assessoria de imprensa, mas não obteve resposta até a publicação desta matéria.

Propostas:

Elevador urbano

Os associados pesquisaram e concluíram que a escolha do elevador de nível funicular foi equivocada e a melhor solução pode ser um elevador vertical panorâmico com passarela também panorâmica, segundo mostra ilustração.

“Isso deve ser melhor debatido e definido o propósito dele. A partir disso, definir a melhor localização. Vai ser apenas turístico e de lazer? Vai ser um modal de transporte em nível (elevação) para todos? Ou de uso misto? O turista paga um valor maior que o natalense, como ocorrem em alguns lugares? Outra dúvida: vai ser feito concurso de projeto ou a própria Prefeitura vai fazer? Há casos de acidentes fatais envolvendo funiculares, como em Los Angeles, Califórnia”, pontua Milton França.

Binário/trinário

Outro ponto é o binário, a solução de transformar ruas paralelas em mão única, uma para cada sentido. De acordo com a Prefeitura, a mudança da Av. Café Filho engloba a revisão do sistema viário, requalificação do binário das avenidas e construção do Deck dos Artistas, uma estrutura que vai percorrer da Ponta do Morcego até a Praia do Meio.

“Nós sugerimos estudar a implantação de um trinário, envolvendo as avenidas Café Filho, 25 de Dezembro e Rua Rodrigues Dias, todas paralelas, num trecho de aproximadamente 500 metros”, detalha o ambientalista.

A ideia é manter a Café Filho para mobilidade ativa (caminhada, ciclismo, patinação e afins) e apenas uma faixa de servidão e turismo, fechada em dias e/ou horários de grande uso social do espaço, como já ocorre com o espaço durante as festas de Réveillon e Carnaval, onde fecham o trecho do antigo Hotel Reis Magos até a Estátua de Iemanjá.

Parque Estadual dos Mirantes Públicos Litorâneos

De acordo com o ambientalista, a criação do parque tem como objetivo assegurar e valorizar, a qualificação e o uso sustentável de plataformas públicas de mirantes em Natal, como equipamentos de lazer e turismo contemplativo.

“Inicialmente, as principais plataformas seriam os subutilizados: Centro de Turismo, Reservatório 2 da Caern e Ponte Newton Navarro. Posteriormente, seriam incluídos Reservatório 8 da Caern e ETE Jaguaribe (na ZN) e Farol de Mãe Luiza (uma réplica ou a original)”.

O translado entre as Plataformas de Mirantes seria feito por diferentes modais: a pé, de bicicleta ou em ônibus ou “trenzinho” turístico.

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Isabela Santos é jornalista e repórter da agência Saiba Mais