Governo Lula cria Observatório Nacional da Violência contra Jornalistas diante de perseguição aos profissionais
Natal, RN 23 de abr 2024

Governo Lula cria Observatório Nacional da Violência contra Jornalistas diante de perseguição aos profissionais

17 de janeiro de 2023
0min
Governo Lula cria Observatório Nacional da Violência contra Jornalistas diante de perseguição aos profissionais

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O ministro da Justiça, Flávio Dino, anunciou nesta terça-feira (17) a criação do Observatório Nacional da Violência contra Jornalistas, com o objetivo de monitorar casos de ataques a esses profissionais.

“Acolhendo o pedido das entidades sindicais dos jornalistas, vamos instalar no Ministério da Justiça o Observatório Nacional da Violência contra Jornalistas, a fim de dialogar com o Poder Judiciário e demais instituições do sistema de justiça e de segurança pública”, publicou o ministro do governo Lula.

O anúncio foi feito um dia após reunião, em Brasília, com entidades da categoria a pedido de Flávio Dino.

"O ministro se solidarizou com a categoria, inclusive em face dos recentes acontecimentos do dia 8 de janeiro. E nós colocamos que muitos jornalistas foram agredidos ali no modus operandi dos terroristas que atacaram a democracia. Muitos colegas tiveram armas apontadas pra eles, material de trabalho destruído e materiais de uso pessoal roubados”, contou a presidenta da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Samira de Castro.

De acordo com a entidade, pelo menos 45 equipes de reportagem foram agredidas fisicamente e hostilizadas por apoiadores de Bolsonaro em todas as regiões do país, em atos golpistas nas capitais, cidades do interior e nos bloqueios das estradas. Esses ataques envolvem mais de 70 trabalhadores da mídia, entre repórteres, repórteres fotográficos e cinematográficos, auxiliares e motoristas.

O encontro da segunda-feira contou ainda com os diretores do Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal (SJPDF), Silvio Luiz Vasconcellos de Queiroz e Cristiane Silva Sampaio, e a presidente da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), Katia Brembatti.

O grupo entregou ao Ministério da Justiça uma carta assinada por 11 entidades que se reúnem desde maio de 2022 em defesa da liberdade de imprensa, preocupadas com a cobertura política diante do discurso de ódio instalado com o bolsonarismo.

Também foi apresentado outro documento, com pautas históricas da Fenaj relativas à segurança da categoria, incluindo a criação do Observatório.

“A Fenaj vem defendendo esse Observatório desde as Jornadas de Junho [2013], quando nós passamos a ser alvo das forças policiais e dos manifestantes. Essa violência cresceu nos últimos anos e adquiriu um caráter diferente a partir do discurso bolsonarista de institucionalização da violência contra jornalistas e de criminalização da atividade dos jornalistas”, destacou a presidente da Federação.

Samira avalia também que é preciso contabilizar os casos de violência contra os profissionais, mas também discutir medidas que possam mitigar os riscos, garantindo que o Observatório tenha a participação social das entidades representativas da categoria e dos empregadores do setor, como a Associação Nacional dos Jornais (ANJ) e da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert). “Os patrões também precisam ser, de certa maneira, responsabilizados pela segurança dos jornalistas”, concluiu.

Ainda entre as propostas para o fortalecimento da atividade jornalística, está a realização de campanha com as forças de segurança nos estados para a compreensão da sociedade sobre o papel dos jornalistas, bem como o respeito e a necessidade de garantir a liberdade de imprensa.

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