Salve, Cirão, editor!
Natal, RN 25 de abr 2024

Salve, Cirão, editor!

9 de julho de 2023
4min
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Temos um novo editor na cidade de Natal. Para nós, que apreciamos e trabalhamos com livros, leitura e escrita, isso é grande motivo de satisfação, claro. E nossa alegria aumenta um pouco mais ainda ao sabermos que se trata também de um autor. No caso, refiro-me ao jornalista Ciro Pedroza, o mais novo “fazedor de livros” da capital potiguar com seu selo editorial Ciropédia.

Desde 2019, ando me dedicando a pesquisar a figura do autor-editor, essa função curiosa exercida por pessoas que, não restritas apenas à responsabilidade pelo texto escrito, assumem também a coordenação de todas as frentes de ação implicadas no livro publicado, como diagramação, revisão, impressão, divulgação e distribuição. Ciro, profissional de formação e atuação no radiojornalismo, me explicou, em conversa informal, que a motivação surgiu logo depois do lançamento de seu livro “Uma história das Rocas”, publicado sob a chancela do Sebo Vermelho. O livro, cuja produção teve atuação direta de Ciro, conquistou tanto sucesso que a primeira edição esgotou rapidamente, ao que se seguiu nova edição, ampliada e revisada.

A partir daí, o autor percebeu que também sabia fazer livro. Decidiu se assumir como editor e seguiu em aventura solo. Em pouco mais de um ano, surgiu a Ciropédia (nome sugerido pelo jornalista Vicente Serejo) e num fôlego só Ciro pôs no mundo cinco títulos: as edições originais de “Epigramas Nino, o filósofo melancólico do Beco da Lama”, de Vicente Serejo; “Livro dos Sonhos”, de Carlos Peixoto; “O último Caderno de Sinhazinha Wanderley”, de Maria do Perpétuo Socorro Wanderley de Castro; e as reedições de “Agora Lábios Meus Dizei e Anunciai”, de Inácio Magalhães e “Sátiras e Epigramas de Zé Areia”, de Veríssimo de Melo.

Alguns dos títulos lançados pela Ciropédia.
Alguns dos títulos lançados pela Ciropédia.

Não posso deixar de comentar um pouco sobre esse último. Em fevereiro deste ano, Ciro me procurou pedindo um textinho de apresentação para esta nova edição do clássico de Veríssimo de Melo (lançado anteriormente por outros editores, como Abimael Silva e João Gothardo Emerenciano). Ciro conhecia um pequeno estudo meu sobre Zé Areia, publicado no meu livro Na tal cidade do humor (Sebo Vermelho, 2013) e me fez o convite. Como bom jornalista e editor “antenado”, fez algumas ligeiras sugestões e me deu a grata alegria de constar nessa edição ao seu lado e de mestres como Câmara Cascudo, Paulo Augusto e do próprio “Vivi”.

Nessa recente empreitada como editor, Ciro já mostrou a que veio, seguindo o que afirmou Kurt Wolff, editor de Franz Kafka, entre outros escritores. Em suas Memórias de um editor (Belo Horizonte, Editora Âyné, 2018), Wolff assinala dois quesitos básicos para um bom editor: entusiasmo e gosto. Como “gosto” define não apenas a capacidade de juízo e sentimento pela qualidade dos trabalhos literários, mas também o instinto seguro para a forma em que um específico livro deve ser realizado (formato, design, fonte, encadernação, contracapa). Sem mencionar, ainda, a habilidade em perceber se determinado livro interessará apenas a um pequeno grupo ou se o seu conteúdo e a sua forma têm potencial de atingir um público maior.

Tratando-se de fazer livro em Natal, desejo que o entusiasmo de Ciro nos dê de presente ainda muitos e muitos livros porque sei que gosto não lhe falta. Pelo whatsapp, peço a ele algumas palavras sobre essa nova aventura, ao que ele me responde:

Ainda estou aprendendo o que é sair da condição de autor que esgotou duas edições de Uma História das Rocas para a de editor da obra de outros autores. Descobrindo e estudando para entender o mecanismo e fugir das armadilhas. Vendo que não é fácil, nem festa. É dureza. Mas está sendo um exercício de prazer.

Os livros encontram-se à venda na Cooperativa Cultural, na Banca Atheneu, na Banca do Tio Patinhas (av. Rio Branco) e em breve na Livraria Manimbu.

Vida longa e próspera à Ciropédia!

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