Pesquisadora da UFRN assume coordenação no Ministério das Mulheres
Natal, RN 15 de jun 2024

Pesquisadora da UFRN assume coordenação no Ministério das Mulheres

19 de agosto de 2023
5min
Pesquisadora da UFRN assume coordenação no Ministério das Mulheres

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Pesquisadora do tempo e do trabalho doméstico não remunerado, Jordana Cristina de Jesus, professora adjunta do Departamento de Demografia e Ciências Atuariais (DDCA/UFRN) e docente permanente do Programa de Pós-Graduação em Demografia da UFRN (PPGDem), assumiu a Coordenação-geral de Políticas de Cuidados da Secretaria Nacional de Autonomia Econômica, unidade do Ministério das Mulheres.

Entre as atribuições da função no governo federal, está a elaboração da Política Nacional de Cuidados. O conceito de “cuidados” considera as atividades realizadas no dia a dia voltadas para o bem-estar das pessoas e inclui as tarefas cotidianas, como manutenção da limpeza, organização dos domicílios e o apoio a atividades diárias de pessoas com diferentes graus de autonomia ou dependência. A iniciativa busca dar atenção a um aspecto da vida que, muitas vezes, é invisibilizado, mas que é fundamental para o funcionamento da sociedade e das atividades econômicas.

Jordana Cristina descreve que está em um “lugar de consciência privilegiada sobre a sociedade, o sistema de educação e a desigualdade social”, principalmente por ter sido beneficiária de bolsas e programas sociais.

“A primeira bolsa de que dependi foi o Bolsa Escola, ainda na infância. A segunda, Bolsa Família, por mais alguns anos. Lembro-me como se fosse ontem a diferença que os R$45,00 reais dessa bolsa faziam na minha família. Depois, precisei também de uma bolsa para estudar Inglês, porque o nível da escola pública onde cursei o ensino fundamental não era suficiente. Na adolescência, precisei de mais uma bolsa, para fazer o ensino médio em uma escola particular de qualidade. Depois de aprovada na UFMG é que fui ter acesso às três bolsas que geralmente os professores doutores tiveram.”, relata em sua tese de doutorado.

Bacharel em Ciências Atuariais, mestre e doutora em Demografia, Jordana é professora adjunta da UFRN desde 2018, onde, também, atuou na vice-coordenação do curso de Ciências Atuariais. É membro do Grupo de Estudos em Economia da Família e do Gênero (GeFam) e coordenadora do Grupo de Trabalho População e Gênero, da Associação Brasileira de Estudos Populacionais (Abep), com atuação em diversas frentes de pesquisa.

A pesquisadora coordena, por exemplo, o projeto que visa analisar o cuidado de idosos no pós-pandemia. Vinculado ao Programa Inova, da Fiocruz, o estudo busca fomentar respostas de curto e médio prazo para o cuidado desse grupo no contexto pandêmico e pós-pandêmico, por meio de estratégias que combinam ações de pesquisa, de educação e de mobilização social, em três territórios situados em municípios das regiões Norte e Nordeste do país. Também, coordena a Rede de Pesquisa Observatório da Violência (OBVIO), ação que objetiva dar respostas e suprir várias lacunas no que concerne aos estudos sobre violência e criminalidade para o subsídio de políticas de desenvolvimento para a região.

Em pesquisa recente, Jordana Cristina de Jesus apresentou o contexto da chamada “geração sanduíche”, definida por adultos que precisam responder por demandas de seus filhos, mas também de seus pais, sendo, geralmente, mulheres entre 40 e 49 anos, em sua maioria, negras. Em entrevista ao podcast Ciência ao Pé do Ouvido, da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), ela explica que entre os motivos para este fenômeno está a escolha de ter filhos mais tarde, a longevidade e as famílias ficando cada vez menores, o que faz com que muitas pessoas sejam obrigadas a cuidar das duas gerações.

Na tese, de 2018, a pesquisadora criticava o modelo nacional de pesquisa sobre o tema: “Atualmente, 18 países da América Latina e do Caribe coletam dados de uso de tempo. O Brasil é o único país nesta lista que limita a coleta de dados a uma única informação: o número total de horas dedicadas por semana aos afazeres domésticos, disponível na PNAD [Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua] anual. A falta de detalhamento do questionário resulta na subnotificação do número de horas dedicadas ao cuidado de crianças. Além disso, impede-nos de desagregar o consumo de atividades domésticas em atividades gerais e de cuidados, afetando o cálculo das transferências de tempo.”

Dados recém-publicados pelo IBGE mostram que, em 2022, a população com 14 anos ou mais de idade dedicava, em média, 17 horas semanais aos afazeres domésticos e/ou cuidado de pessoas, sendo 21,3 horas semanais para as mulheres e 11,7 horas para os homens. O levantamento do tema Outras Formas de Trabalho, da PNAD Contínua 2022 analisou informações sobre cuidado de pessoas, afazeres domésticos, produção para o próprio consumo e trabalho voluntário.

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