Nada de novo no front editorial
Natal, RN 22 de abr 2024

Nada de novo no front editorial

7 de setembro de 2023
4min
Nada de novo no front editorial

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Encontro no “finado” jornal O Poti, em edição de 30 de junho de 1985, a seguinte matéria assinada pelo jornalista (e hoje também professor) Jóis Alberto: “Editoras locais se destacam entre as 50 maiores do país”. Desse achado, devo o mérito a Biatryz Moura, estudante do curso de Letras da UFRN. Ela e Gil Almeida, estudante de Jornalismo, atuam junto a mim na pesquisa sobre as edições CLIMA como bolsistas de Iniciação Científica e me proporcionam inestimável auxílio sobretudo na chamada “busca e seleção de dados”.

A matéria, publicada há quase quarenta anos, é um leque de preciosas informações sobre o campo editorial em Natal dos anos 1980 e me fez indagar seriamente acerca do que há de novo sob o sol na cultura potiguar dos livros.

O texto de Jóis dá notícia da lista publicada pelo tablóide “Leia” sobre “Quem é Quem no Mercado Editorial”, um ranking sobre as editoras de maior circulação no país. As editoras natalenses “Nossa Editora” (comandada pelo advogado Pedro Simões) e “Clima” (do jornalista Carlos Lima) ficaram, respectivamente, em 45º e 51º lugar na listagem liderada por empreendimentos de peso como Record, Brasiliense, Vozes, Círculo do Livro e Nova Fronteira, todas de São Paulo e Rio. E ressalta Jóis Alberto:

“A inclusão das duas de Natal, que são pequenas, se deve exatamente ao fato do total de títulos publicados e número de edições”.

A matéria dO Poti confirma, pois, uma condição que não só se manteve como se expandiu, apesar dos pesares: habemus autores e livros, sim! Escrevemos e publicamos, sim, para além do eixo de maior fatia do mercado editorial do país. Isso se confirma, por exemplo, no que me atesta Ivan Jr., sócio proprietário da Offset Gráfica e Editora, onde a grande maioria dos selos editoriais de Natal faz seus livros: ele me informa que só no ano passado foram feitos por ele e sua equipe cerca de 215 a 230 títulos.

Mas uma outra condição, mais lamentável, também parece se manter na luta que é fazer livro. “Como o consumo maior é nessa oportunidade (os eventos de lançamento) e o público se restringe aos intelectuais amigos do escritor e editores, passada a badalação do lançamento, os livros acabam esquecidos nas estantes das livrarias de autores potiguares”, diz a notícia, tal como se tivesse sido escrita dia desses, dada sua atualidade.

Com efeito, no evento “Dois Dedos de Prosa: rodas de conversa com autores-editores”, atividade de extensão que coordenei na UFRN em maio deste ano, o que mais ouvi acerca da grande dificuldade nesse exercício profissional foi justamente a questão da distribuição e circulação dos livros, em que é preciso quase andar de “pires na mão” para fazer escoar a tiragem impressa dos títulos lançados.

O que fazer para que esses livros circulem além dos lançamentos e não sejam olvidados/aviltados na promessa empoeirada de uma futura (e improvável) leitura? Certamente há muitas possíveis frentes de ação. O que nós, que lemos, escrevemos e publicamos, podemos fazer para tentar reverter essa condição.

Em breve, vem aí mais uma leva de editais (Lei Paulo Gustavo) para movimentar setores culturais e artísticos, no que se inclui a produção literária e editorial. Que o resultado disso tudo não acabe, afinal, encalhado em alguma prateleira esquecida.

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