Família potiguar que mora no RS perde tudo e fica com casa submersa
Natal, RN 17 de mai 2024

Família potiguar que mora no RS perde tudo e fica com casa submersa

9 de maio de 2024
6min
Família potiguar que mora no RS perde tudo e fica com casa submersa
Estúdio onde Edinalva trabalha em Canoas também ficou debaixo d'água I Foto: cedida

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Há seis dias que a casa de Edinalva está debaixo d’água. Ela é do município de São Rafael, que fica a 4h30 de Natal, mas mudou-se para Canoas, no Rio Grande do Sul, desde 2007 a convite dos irmãos que já estavam por lá e perceberam que ela havia desenvolvido depressão após a perda mãe.

Eles vieram para cá em busca de uma vida melhor, porque São Rafael era uma cidade muito pequena, e acabaram me trazendo depois que perdi minha mãe. Fiquei muito triste e fui me recuperando aos poucos aqui. Conheci meu marido, me casei, tive minha filha e formei minha família”, conta por telefone.

A potiguar estava em casa quando recebeu a ligação de um dos irmãos na última quinta (02) pedindo que ela fosse para a casa de um amigo da família, que ficava em um bairro mais distante do Rio Guaíba. Ele estava preocupado com o nível do rio que estava subindo.

Ele já tinha saído da casa dele para pegar a esposa. Arrumei uma mochila com roupa para minha filha e deixamos nossa casa por volta das 15 horas. Ainda estava tudo tranquilo, não havia aviso de enchente nem sinal de que isso iria acontecer. Meu marido tinha ido levantar os móveis da casa da mãe, depois foi para casa e me ligou dizendo que estava tudo normal. Mas, de uma hora da madrugada ele acordou com o barulho da água”, lembra com a voz embargada de quem ainda sente medo do que aconteceu.

Edinalva, no canto à esquerda, está abrigada com a família na casa de amigos I Foto: cedida

“Quando a Defesa civil mandou as pessoas do meu bairro saírem de casa, já tinha estourado o dique do rio e a força da água era tão grande que só deu tempo do meu marido sair de casa com a roupa do corpo... já com água pela cintura. Ele só ligou avisando o que tinha acontecido, mas flou rápido se não poderia não conseguir sair, por isso que nas imagens que vocês veem nos jornais há pessoas nos telhados, elas foram pegas de surpresa”, conta Ednalva chorando.

Só saí de casa porque meu irmão estava preocupado e queria todo mundo junto. Graças a Deus minha filha e minha família estão aqui, não sei o que poderia ter acontecido. Já são seis dias e a água não baixa, minha casa está submersa”, continua.

 O amigo que recebeu Ednalva, o marido e a filha dela, também abrigou os outros membros da família, são dois irmãos, sendo um casado com três filhos e a esposa (um dos filhos já é casado e tem esposa e um filho), além de um irmão solteiro e uma irmã casada, que também levou o marido e os dois filhos para a mesma casa. Uma irmã da cunhada de Edinalva e um irmão do esposo dela também estão na casa. O casal de amigos que recebeu a família também tem uma filha. O grupo está sem água, comida e sobrevivendo da ajuda de voluntários, que nesta quarta (08) deixaram uma marmita para o grupo conseguir almoçar.

Grupo conseguiu água no poço de um shopping center I Foto: cedida

Estamos sem saber o que fazer. Não posso voltar para casa e não tenho como trabalhar, assim como a maioria das pessoas que estão aqui. As doações que estão sendo feitas em campanhas são para as pessoas que estão em abrigos. Vamos tentar conseguir roupas de frio em uma das unidades porque o frio está chegando e só temos a roupa do corpo. O frio aqui não é brincadeira”, conta Ednalva assustada com um grande relâmpago, cujo com som eu consegui ouvir ao telefone.

Edinalva trabalhou numa empresa de supermercados por dez anos que fechou na pandemia. A partir daí ela passou a ser autônoma, trabalhando como manicure em um estúdio que ela montou com mais duas amigas. O local também ficou debaixo d’água e elas perderam tudo.

O marido da potiguar também perdeu o emprego durante a pandemia, quando a empresa fechou, e ele passou a trabalhar como motoboy. Na família, a maioria é de autônomos, apenas um dos irmãos tem carteira assinada atualmente.

Alguns amigos de São Rafael que estão nos ajudando, mas o dinheiro só dá pra gente comer. Não sabemos até quando vamos conseguir ficar assim, não tem nem água nas torneiras. Isso não vai acabar hoje nem amanhã, não tem data certa. Só agradecemos pela vida, mas não sabemos o que fazer”, desabafa entre lágrimas.

Até o momento o grupo, que não foi cadastrado em nenhum programa social para receber auxílio, conta apenas com a solidariedade de amigos e familiares que ainda moram em São Rafael.

“Isso aqui está parecendo o fim do mundo e agora voltou a chover”, comenta Edinalva assustada, antes de desligar o telefone.

Os temporais no Rio Grande do Sul se intensificaram a partir do dia 29 de abril. Até a noite desta quarta (8) havia 100 mortos e 128 pessoas desaparecidas, além daquelas que perderam suas casas e estão em abrigos da prefeitura ou em casa de parentes e amigos, como no caso de Edinalva.

Em Canoas, 11 bairros foram evacuados pela prefeitura da cidade por causa das inundações e foram abertos 55 abrigos pelo município. Para ajudar Edinalva, a família e os amigos que receberam as 20 pessoas na própria casa, basta fazer um pix para (51)98234 4619.

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