A caótica situação financeira do ABC
Natal, RN 23 de jun 2024

A caótica situação financeira do ABC

2 de fevereiro de 2020
A caótica situação financeira do ABC

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Não estou pegando no pé dos dirigentes do ABC, não, longe de mim essa intenção, estou sim, preocupado com a instituição. Sinto no ar que as ameaças do clube perder seu patrimônio podem sim se tornarem reais. Nenhum clube, empresa, comércio, representação, nem mesmo uma imaginada potência, e vou citar o Diário de Natal, onde trabalhei por 14 anos, se sustenta com tantos anos seguidos de desmandos e falcatruas nunca apuradas e culpados nunca punidos.

A carga toda agora é sob Fernando Suassuna, ex-funcionários batem com força no presidente, pois foi ele que demitiu e não acertou as contas como se deve. Não é dele toda a culpa, pois essa dívida de mais de R$ 30 milhões do ABC (e aumentando) não foi feita sob sua gestão. O não acerto das contas com funcionários demitidos parece coisa de pouca monta, mas não é, se torna um problema gigante, pois deixa claro, evidente o pouco caso com as coisas do clube. Esse povo demitido, que não tem culpa da crise, alguns tinham mais de uma década de dedicação, portanto, só agora se descobriu que eles são causadores de tantos problemas?

No futebol, isso, acho eu, nunca vai acontecer, cada dirigente ao deixar o clube, antes de qualquer coisa, os sucessores deveriam contratar uma auditoria independente e fazer uma devassa completa, real, de tudo que foi gasto, recebido, enfim, como deve ser. Como isso nunca aconteceu, a bola de neve foi aumentando e aumentando, atingindo níveis de descontrole total como se passa atualmente com o alvinegro potiguar e já aconteceu com outros tantos pelo Brasil, causando até falências completas e desaparecimento.

Fernando Suassuna, eu me lembro bem, assumiu o ABC prometendo uma gestão moderna, futurista até, projetos para dez anos, investimentos, permutas, ações que quitariam as dívidas do ABC e  transformaria o clube numa cópia fiel do que foi nos últimos anos as administrações do Bahia e do Flamengo. Infelizmente, tudo isso ficou somente no papel, e na vontade.

Ninguém sabe hoje, nem mesmo o presidente Suassuna e sua equipe, a quanto pode chegar o endividamento do alvinegro a partir de novas ações na Justiça do Trabalho nos próximos anos. A dívida de mais de R$ 30 milhões, já computada, divulgada, não tem incluídos os novos casos recentemente divulgados - Ranielle Ribeiro, Flávio Paiva, Marcelo Henrique, treinador, preparador e fisiologista, assim como a ação do atleta Guedes - todas elas com cifras alarmantes.

Assim como também não computa ações na Justiça dos ex-funcionários demitidos que, ao procurarem acertar as contas com os clubes, segundo testemunho deles mesmos, foram orientados a "procurarem seus direitos", quer dizer, numa clara decisão de que, para receber, eles devem procurar a Justiça. E são esses funcionários que, conhecendo mais que ninguém os reais problemas, pois conviveram no dia a dia, que, revoltados com a forma como foram tratados, como estão sendo tratados, resolveram falar e tornar público, em redes sociais, grupos de zap, a situação caótica do clube.

Para eles, a entrada de novos colaboradores contratados, novos modelos administrativos adotados - mudança na cozinha, no marketing, na assessoria de imprensa, aquisição de material, forma de trabalho- entre muitas outras coisas fizeram aumentar de forma substancial o endividamento. A compra de quentinhas, dispensando a cozinha; a contratação de uma lavanderia para lavar o material do clube, só estas duas mudanças geraram dívidas não pagas até hoje, só R$ 19 mil na compra no restaurante, não se sabe o valor da lavanderia.

Eles citam um dos componentes da direção que teria deixado um rombo, sem explicação e justificativa  nas contas, de mais de R$ 1 milhão, sem falar no estouro do cartão do clube, esse mesmo colaborador, endividando em mais de R$ 140 mil hoje. Todas essas coisas, segundo denúncias dos funcionários demitidos, estão sendo omitidas, sem que os responsáveis sejam chamados a responder pelas irregularidades cometidas, se é que elas realmente se confirmam.

Preocupante, assustadora até, a fala de uma conselheira (ouvi numa gravação de zap) que cita a existência de uma suposta dívida com a Receita Federal (nunca tomei conhecimento, confesso) que pode, a qualquer momento, dependendo de uma decisão de um juiz federal, levar a leilão o patrimônio do ABC, seu centro de treinamento ou até mesmo o estádio Frasqueirão, enquanto isso, diz ela, a direção se volta mais para o conserto dos alambrados.

Uma outra situação inusitada, narrada por um dos mais revoltados ex-funcionários - tinha 12 anos de ABC - é que basta um simples telefonema para um órgão responsável e o estádio Frasqueirão seria interditado por tempo indeterminado. Definitivamente, o clube de maior torcida de nosso Estado precisa, com urgência, passar por uma devassa total e irrestrita. Um dos funcionários afirmou que o Ministério Público foi acionado e que um Procurador deve fazer uma visita ao clube e tomar pé da situação dos depósitos de FGTS nunca realizados. Inimaginável, a situação.

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