“As cidades estão na contramão de uma agenda de adaptação climática”, alerta doutora em Ambiente e Sociedade
Natal, RN 27 de mai 2024

“As cidades estão na contramão de uma agenda de adaptação climática”, alerta doutora em Ambiente e Sociedade

9 de setembro de 2021
“As cidades estão na contramão de uma agenda de adaptação climática”, alerta doutora em Ambiente e Sociedade

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No Brasil, as cidades não criam medidas de gestão que possam diminuir a emissão dos gases do efeito estufa. O alerta é da cientista social e doutora em Ambiente e Sociedade, Zoraide Souza Pessoa, que é professora do Departamento de Gestão de Políticas Públicas da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

“A gente mitiga muito pouco os efeitos das emissões e a sua colaboração para o aquecimento global, mas do ponto de vista da adaptação a gente não faz absolutamente nada. Não estamos nos preparando pra viver com estados de extremos climáticos e meteorológicos, cada vez mais intensos e frequentes. As cidades estão na contramão, digamos, de uma agenda de adaptação climática”, avisou Zoraide, durante entrevista ao Programa Balbúrdia desta quinta-feira (9).

A professora explicou que a mobilidade urbana é um grande fator de mitigação, porque é um setor de grande emissão de gases, mas para adaptação seria preciso mudar o sistema de transporte e repensar toda a perspectiva de mobilidade espacial e como as pessoas se conectam. “Isso tem a ver com a forma como o território da cidade está sendo ordenado, planejado”.

Zoraide se aprofunda no tema, dizendo que não bastaria mudar a eficiência energética dos meios de transporte, trocando combustíveis fósseis para fonte alternativa, se não for criada outra dinâmica de cidade. “Eu não estaria adaptando, apenas mitigando”, resume.

O impacto é enorme, considerando que a maioria da população mundial vive nas cidades e 70% do consumo energético ocorre nelas. Por essa razão, a especialista destaca que os planos diretores são essenciais para os processos de adaptação e mitigação climática.

Revisão do Plano Diretor de Natal

Como outros municípios, a capital potiguar não tem ponderado seriamente as questões ambientais durante a revisão do Plano Diretor. Segundo Zoraide Pessoa, pelo contrário, as propostas são contrárias a uma adaptação climática para as próximas décadas.

“Pensando que os possíveis eventos extremos se caracterizam na cidade... nós somos uma cidade costeira, com possível aumento do nível do mar, constantes inundações, alagamentos, deslizamentos a gente tem que tangenciar, porque não estamos em uma cidade de morros, a gente tem poucas áreas assim, mas a gente também precisa considerar. A cidade vem pressionando e a gente não tem trabalhado pra manter ou ampliar a cobertura vegetal da cidade, que seria essencial para acomodar os efeitos desses eventos extremos”, sugeriu.

Zoraide conta também que Natal tem extrema vulnerabilidade sócio climática e que são as populações mais pobres as mais atingidas por eventos naturais. O clima repercute na dinâmica produtiva e econômica da cidade, bem como na segurança hídrica, energética e alimentar.

Confira a entrevista completa:

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