Natal: um resultado para reflexão
Natal, RN 23 de jun 2024

Natal: um resultado para reflexão

13 de outubro de 2022
2min
Natal: um resultado para reflexão

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No processo eleitoral de Natal, devemos tirar algumas lições. A primeira delas é que Lula, incontestavelmente é um líder de massas. Enfrentou a máquina municipal de Álvaro Dias e a federal, de Rogério Marinho, além de uma campanha vexatória das igrejas evangélicas e da já esperada onda de fake news da última semana.

Quando se divide a cidade de acordo com o zoneamento urbano, feito pela própria Prefeitura, os sinais dessa liderança se tornam claros e cristalinos. Lula conseguiu 50,1% dos votos, contra 42,0% da máquina bolsonarista. Bolsonaro venceu nos “bolsões reacionários”, claramente identificados nas urnas (Petrópolis, Barro Vermelho, Tirol, Candelária e Lagoa Nova), sendo que estes “bolsões” deram 62,7% dos votos a Bolsonaro.

Uma segunda lição, e que isso sirva para esquerda, à medida que nos afastamos do centro e da Zona Sul, o apoio a Lula cresce e nos bairros mais pobres, a identificação com ele é muito presente, ou seja, enquanto a esquerda mantiver a sensação de que a classe média, mais informada e letrada (sic) pode dar votos às candidaturas progressistas, continuaremos a ver as lagartixas e outros cacarecos serem eleitos.

Lula venceu em todos os bairros da Zona Norte e Oeste, bairros proletários, onde o desemprego campeia e onde as condições de vida não podem ser igualadas aos locais mais identificados com a chamada classe média.

Na Zona Sul, Lula venceu com folga em Nova Descoberta e Ponta Negra, onde estão os contrates mais evidentes das desigualdades de classe que essa cidade tem, e venceu por apertada margem no bairro de Capim Macio, bairro de classe média que chamo de “média média”.

E mesmo no bairro onde foi derrotado, Lula perdeu por míseros 1.329 votos, ou seja, Natal, uma cidade conservadora, deu um pequeno suspiro de progressismo pelo menos nas eleições presidenciais e para governador, com a vitória de Fátima Bezerra.

Vamos esperar as urnas do segundo turno e verificar se esses resultados foram um espasmo de democracia na tão bela e conservadora Natal.

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