Bicicleta: Uma máquina de fazer bons dias
Natal, RN 17 de jul 2024

Bicicleta: Uma máquina de fazer bons dias

1 de julho de 2023
4min
Bicicleta: Uma máquina de fazer bons dias

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John Fontenele Araujo*

Bom dia, leitor. Talvez você esteja lendo este texto a noite, mas eu continuo te desejando um bom dia. Afinal, esta é uma saudação agradável que nos aproxima e universalmente usada entre as culturas humanas. Acredita-se que esta forma de cumprimento surgiu junto com a nossa capacidade em produzir a linguagem.

Cada país tem uma expressão para bom dia, alguns com alguma particularidade. Por exemplo, embora os portugueses sejam conhecidos por serem rabugentos, eu fiquei surpreso quando morei por lá e descobri que eles usualmente dizem “muito bom dia”. Para eles, esta é uma demonstração de carinho com o outro. Realmente, eu sempre me sentia mais feliz ao ouvir o “muito bom dia” dos colegas portugueses.

O cumprimento pela manhã com um “bom dia” é considerado uma atitude de boa educação, mas, tudo indica que esta forma de cumprimentar entre as pessoas com um bom dia está desaparecendo no mundo. Tudo indica que o vilão é o automóvel individual.

Ao usar um carro, nós ficamos presos e isolados dentro de uma estrutura de um pouco mais de uma tonelada, além disso, na maioria dos automóveis, há películas escuras para proteção da irradiação solar e para a segurança de quem está dentro do carro. Estas películas, conhecidas como insulfilm, devem manter no mínimo 70 % de transparência nos vidros, porém, em várias cidades ensolaradas como a cidade do Natal, é comum o não cumprimento da lei. Em alguns casos a transparência é tão reduzida que parece que é um veículo autônomo. Não conseguimos ver ninguém dentro do veículo.

O uso do automóvel individual nas grandes cidades também gera um alto nível de congestionamento do trânsito, provocando uma lentidão no tráfego, muita poluição sonora e do ar e como consequência uma irritação crônica nos condutores. Com todo este estresse, os motoristas continuam irritados mesmo após o fim do deslocamento, e ao chegar ao trabalho e impaciente, ninguém tem mais paciência para desejar bom dia para os outros. Afinal, quem tem um bom dia tendo de enfrentar um engarrafamento todos os dias?

Novamente a solução para recuperarmos o uso desta bela expressão, bom dia, é a bicicleta. Eu que sou ciclista e me desloco todos os dias de bicicleta e por não ficar isolado dentro de uma estrutura de ferro, eu digo bom dia em todo os dias. Por exemplo, para os funcionários na saída do condomínio e para os moradores que estão caminhando e encontro no caminho.

Ao ir ao trabalho encontro pessoas nas paradas de ônibus e sempre dou bom dia. Ao entrar na universidade eu sigo pela ciclovia e sempre encontro alguém caminhando ou correndo pela ciclovia. Não sou daqueles que buzinam ou reclamam dos pedestres, eu prefiro sempre cumprimentar com um bom dia. O resultado é sempre um bom dia de volta e um sorriso no rosto. Afinal, na ciclovia cabe nós ciclistas e os pedestres e devemos utilizá-la de uma forma civilizada. Além disso, a regra é clara, nós ciclistas sempre temos de respeitar e dar preferência para os pedestre.

Ao usar a bicicleta como meio de mobilidade todos os dias, eu também estou criando um bom dia para mim. Pois, ao pedalar eu interajo com a natureza e isto faz bem para minha saúde mental. Em decorrência do pedalar ocorre também liberação de endorfinas e dopaminas no meu cérebro, gerando em mim uma sensação de bem-estar geral.

Pensando a longo prazo, ao usar a bicicleta para ir trabalhar eu estou melhorando o funcionamento do meu sistema cardiorrespiratório e garantindo uma vida mais saudável. Então, o uso da bicicleta é como os espanhóis se cumprimentam pela manhã, buenos días, o que significa algo como “não te desejo apenas um único bom dia, te desejo muitos e muitos bons dias”. Por isso eu digo que a bicicleta é uma “máquina de fazer bons dias”.

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