Desemprego recua no Brasil e exige responsabilidade da esquerda
Natal, RN 3 de mar 2024

Desemprego recua no Brasil e exige responsabilidade da esquerda

2 de dezembro de 2023
7min
Desemprego recua no Brasil e exige responsabilidade da esquerda

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Em 11 meses de governo, sob intenso bombardeio das redes sociais, ainda dominadas pelos fascistas bolsonaristas, embora com menos fervor e alcance; cercado pela grande mídia, que tenta impor a agenda neoliberal ao governo; uma Câmara de Deputados cuja maioria é reacionária e conservadora e vive emparedando o governo; um Senado que volta e meia aponta as canhoneiras para o Planalto; e com uma esquerda fragilizada e perdida em temáticas que passam longe da Luta de Classes, Lula conseguiu, aos trancos e barrancos, começar a recuperar a economia.

Os dados recentes, divulgados pela PNAD-IBGE, apontam para um tímida recuperação quando nos referimos aos postos de trabalho. Entre agosto e outubro desse ano, o número de desempregados recuou 0,3 ponto percentual, ficou em 7,6%, o menor índice desde fevereiro 2015, data em que começou o calvário de Dilma e desembocou no Golpe de 2016 e é bom sempre lembrar que esse Golpe gerou o governo entreguista de Temer e o apocalíptico governo do Mandrião.

A população ocupada, que já este abaixo dos 50% do total da força de trabalho, finalmente ultrapassou esse patamar e chegou a 57,2% e isso obviamente teve reflexos no rendimento médio real dos trabalhadores que, quando comparado o período janeiro a outubro de 2023, com o mesmo período de 2022, o aumento foi de 3,9%. Se falarmos sobre os trabalhadores com carteira assinada, tão odiada pelos empresários e pelo senador Rogério Marinho, chegou a 37,4 milhões de trabalhadores, que considero tragicamente baixo, mas que é o maior contingente desde junho de 2014, ou seja, recuperamos, nesse primeiro momento, quase dez anos de recuos de trabalhadores com carteira assinada.

Para mim, entretanto, um número deve, ou deveria, ser muito comemorado. O número de trabalhadores desalentados, aqueles que desistiram de procurar trabalho, ficou em 3,5 milhões, sendo o menor contingente registrado desde o trimestre encerrado em setembro de 2016, que era de 3,5 milhões. Pode parecer “a mesma coisa”, mas é bom lembrar que de 2016 a 2023 essa massa de trabalhadores foi aumentando. Agora parou de crescer.

São números que deveriam dar fôlego à esquerda, perdida em pautas que deixam flancos abertos no processo de luta política. Lula, que montou um governo de centro-direita, e é prisioneiro de um sistema político-partidário estruturado para dar poder aos grandes grupos econômicos, busca caminhar em um terreno cheio de minas e, para isso, recua na maioria das vezes.

Para os mais alvoroçados, desejosos de um governo “esquerda”, parece que Lula “traiu” os “princípios”, embora estes “princípios” sejam uma mera vontade de muitos que tem dificuldades em entender o que efetivamente significam os movimentos de uma luta política já que, a tal esquerda, no campo parlamentar, nunca chegou sequer perto da maioria e agora está em franca minoria.

A economia segue sendo o grande foco de Lula, pois é nela que reside sua força para 2024 e 2026. E, nesse sentido, a pauta conservadora de Haddad, tem mais espaço, pois fortalece a possibilidade de alianças para as eleições de 2024 e a preparação da sucessão de Lula, em 2026.

Se a economia fracassar ou naufragar, a extrema-direita e a direita vão comer o fígado do presidente e abocanhar mais pedaços dessa sociedade, já adoecida pelo reacionarismo e a barbárie, e isso pode significar que os trabalhadores voltarão ao inferno do desemprego, subemprego e desalento.

É necessário que a esquerda encare a responsabilidade de governar dentro de um cenário ainda muito ruim. Lula vai continuar operando com esse cenário até 2026, até porque é muito pouco provável que entre 2024 e 2026 ocorra um boom econômico que seja idêntico a 2009-2010, quando houve uma forte ação anticíclica do governo.

Lula não pode ser mais do mesmo. E nem a esquerda.

Em 11 meses de governo, sob intenso bombardeio das redes sociais, ainda dominadas pelos fascistas bolsonaristas, embora com menos fervor e alcance; cercado pela grande mídia, que tenta impor a agenda neoliberal ao governo; uma Câmara de Deputados cuja maioria é reacionária e conservadora e vive emparedando o governo; um Senado que volta e meia aponta as canhoneiras para o Planalto; e com uma esquerda fragilizada e perdida em temáticas que passam longe da Luta de Classes, Lula conseguiu, aos trancos e barrancos, começar a recuperar a economia.

Os dados recentes, divulgados pela PNAD-IBGE, apontam para um tímida recuperação quando nos referimos aos postos de trabalho. Entre agosto e outubro desse ano, o número de desempregados recuou 0,3 ponto percentual, ficou em 7,6%, o menor índice desde fevereiro 2015, data em que começou o calvário de Dilma e desembocou no Golpe de 2016 e é bom sempre lembrar que esse Golpe gerou o governo entreguista de Temer e o apocalíptico governo do Mandrião.

A população ocupada, que já este abaixo dos 50% do total da força de trabalho, finalmente ultrapassou esse patamar e chegou a 57,2% e isso obviamente teve reflexos no rendimento médio real dos trabalhadores que, quando comparado o período janeiro a outubro de 2023, com o mesmo período de 2022, o aumento foi de 3,9%. Se falarmos sobre os trabalhadores com carteira assinada, tão odiada pelos empresários e pelo senador Rogério Marinho, chegou a 37,4 milhões de trabalhadores, que considero tragicamente baixo, mas que é o maior contingente desde junho de 2014, ou seja, recuperamos, nesse primeiro momento, quase dez anos de recuos de trabalhadores com carteira assinada.

Para mim, entretanto, um número deve, ou deveria, ser muito comemorado. O número de trabalhadores desalentados, aqueles que desistiram de procurar trabalho, ficou em 3,5 milhões, sendo o menor contingente registrado desde o trimestre encerrado em setembro de 2016, que era de 3,5 milhões. Pode parecer “a mesma coisa”, mas é bom lembrar que de 2016 a 2023 essa massa de trabalhadores foi aumentando. Agora parou de crescer.

São números que deveriam dar fôlego à esquerda, perdida em pautas que deixam flancos abertos no processo de luta política. Lula, que montou um governo de centro-direita, e é prisioneiro de um sistema político-partidário estruturado para dar poder aos grandes grupos econômicos, busca caminhar em um terreno cheio de minas e, para isso, recua na maioria das vezes.

Para os mais alvoroçados, desejosos de um governo “esquerda”, parece que Lula “traiu” os “princípios”, embora estes “princípios” sejam uma mera vontade de muitos que tem dificuldades em entender o que efetivamente significam os movimentos de uma luta política já que, a tal esquerda, no campo parlamentar, nunca chegou sequer perto da maioria e agora está em franca minoria.

A economia segue sendo o grande foco de Lula, pois é nela que reside sua força para 2024 e 2026. E, nesse sentido, a pauta conservadora de Haddad, tem mais espaço, pois fortalece a possibilidade de alianças para as eleições de 2024 e a preparação da sucessão de Lula, em 2026.

Se a economia fracassar ou naufragar, a extrema-direita e a direita vão comer o fígado do presidente e abocanhar mais pedaços dessa sociedade, já adoecida pelo reacionarismo e a barbárie, e isso pode significar que os trabalhadores voltarão ao inferno do desemprego, subemprego e desalento.

É necessário que a esquerda encare a responsabilidade de governar dentro de um cenário ainda muito ruim. Lula vai continuar operando com esse cenário até 2026, até porque é muito pouco provável que entre 2024 e 2026 ocorra um boom econômico que seja idêntico a 2009-2010, quando houve uma forte ação anticíclica do governo.

Lula não pode ser mais do mesmo. E nem a esquerda.

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