Recortes históricos da questão ambiental
Natal, RN 26 de mai 2024

Recortes históricos da questão ambiental

10 de março de 2024
4min
Recortes históricos da questão ambiental
Tragédia de Mariana está na história como um dos maiores desastres ambientais do Brasil / foto: Antônio Cruz / Agência Brasil

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Desde que a espécie humana pisou no planeta Terra, nos primórdios dos tempos, ela começou a mexer com a natureza, de algum modo. Durante alguns milênios, esse impacto não foi considerável, porque a população mundial era bem menor do que é hoje e os rejeitos humanos gerados eram apenas orgânicos, fáceis de serem absorvidos e transformados pela terra, vegetações, ar e cursos d’água.

Não havia ainda industrialização e produtos que pudessem demorar muitos anos, ou séculos, para se decompor no meio natural. Há um consenso entre os historiadores de que foi a partir da Revolução Industrial, nos séculos XVIII e XIX, que começaram a surgir, de verdade, os problemas de degradação ambiental.

A madeira e o carvão vegetal eram os combustíveis das indústrias para alimentar fornos e maquinários, gerando grande poluição do ar quando eliminados pelas chaminés. Em um primeiro momento, esses danos ambientais foram restritos à Inglaterra, país que iniciou o movimento industrial.

Com o passar do tempo e chegando ao século XX, graves acidentes ambientais foram registrados decorrentes do processo de industrialização, com morte de parcela da população e danos quase irreversíveis aos ecossistemas naturais, tais como: 1930 – Vale do Meuse (Bélgica); 1948 – Nonora (Pensilvânia – EUA); 1950 – Poza Rica (México); 1952 – Londres (Inglaterra). Todos estes, resultantes da poluição do ar.

Ainda no século XX, outros desastres ambientais merecem um triste destaque: 1956 – Minamata (Japão – população contaminada por mercúrio); 1976 – Seveso (Itália – contaminação do ar por dioxina); 1984 – Vila Socó – Cubatão/SP – Brasil (gasolina contaminou manguezal); 1984 – Bhopal (Índia – 40 toneladas de gases tóxicos no ar); 1986 – Chernobyl (hoje Ucrânia – ex URSS – enorme acidente nuclear); 1989 – Alaska (acidente petrolífero do navio Exxon Valdez.

Não se pode deixar de mencionar também os piores acidentes ecológicos já registrados aqui no Brasil. Atualmente, século XXI, duas tragédias ocorridas aqui chamam a atenção: nos municípios de Mariana, em 2015, e Brumadinho, em 2019, ambas em Minas Gerais, onde barragens com rejeitos de mineração romperam-se, causando, além de mortes, danos irreversíveis aos ecossistemas locais e regionais - com repercussões socioeconômicas negativas na população do entorno e locais mais distantes.

O ano de 1962 marca o início de uma conscientização ambiental em âmbito mundial, a partir do lançamento do livro “Primavera Silenciosa”, nos EUA. A publicação provava, por meio de uma visão científica, que foi através do pesticida DDT usado nas lavouras dos EUA, que vários pássaros haviam sumido dos campos norte-americanos. Em função disso, organizações não governamentais (ONGs) ambientalistas começaram a surgir naquele período, com o objetivo de preservar a natureza em todas as suas esferas, e, consequentemente, proteger a vida humana também.

Termo bastante difundido nos dias atuais, a definição de ‘Desenvolvimento Sustentável’ só foi começar a tomar corpo a partir de 1968, após a Conferência da Biosfera, em Paris, ocasião em que foi elaborado o “Relatório Meadows”, conhecido como ‘Relatório do Clube de Roma’. O documento propunha crescimento econômico zero aos países, influenciando, quatro anos mais tarde, de maneira decisiva, o debate na Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente, em Estocolmo (Suécia).

O Clube de Roma foi composto por cientistas, industriais e políticos oriundos de dez países, que objetivaram discutir e analisar os limites do crescimento econômico, levando em conta o uso crescente dos recursos naturais. Fruto de tais discussões, o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) elabora o relatório intitulado “Os Limites do Crescimento”, em 1972.

A Conferência de Estocolmo, naquele ano, é tida por muitos como o ponto de partida da política ambiental global e introduziu alguns dos conceitos e princípios que, ao longo dos anos, influenciaram todos os países, o que explica a difusão da preocupação e da proteção ambiental em todo o mundo.

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