Após denuncias de desmatamento, Cacique Luiz Katu sofre intimidações
Natal, RN 30 de mai 2024

Após denuncias de desmatamento, Cacique Luiz Katu sofre intimidações

9 de maio de 2024
5min
Após denuncias de desmatamento, Cacique Luiz Katu sofre intimidações
Reprodução Luiz Katu

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Na tarde desta quinta-feira (9), o Cacique Luiz Katu, do povo Potiguara Katu, denunciou uma tentativa de intimidação que sua família recebeu, após denuncias contra a derrubada de madeira ilegal em um território índigena do estado feita pela liderança. Segundo relato em um perfil de rede social, homens em um carro invadiram a casa do irmão do cacique a procura dele, tentaram intimidar sua cunhada e foram embora às pressas logo em seguida. 

No vídeo, a liderança relaciona o ocorrido com a série de denúncias feitas por ele nos últimos meses, que apontam desmatamento ilegal em área indígena. Após as denúncias, Luiz Katu tem recebido uma série de ataques e várias formas de intimidações. Em entrevista à Agência Saiba Mais, o cacique explicou a situação que sua família viveu. 

“Aconteceu hoje pela manhã, por volta das 10 horas, chegou dois indivíduos num carro na casa de um dos meus irmãos, e acessaram o portão da casa sem permissão. E um desses cidadãos foi até a área né já próxima à cozinha da casa do meu irmão e se deparou com a esposa dele e perguntando se era ali que morava Luiz. Ela perguntou: ‘Que Luiz?’ e ele fez: ‘O cacique’ e ela fez: ‘Não. Aqui não mora o cacique não, quem mora aqui é o irmão dele’”, explicou.

Após questionar onde o Cacique morava, os homens saíram às pressas. “Ele saiu às pressas e ela correu e fechou o portão, porque ele tinha entrado sem permissão pelo portão e saíram como se estivesse me procurando. Então, isso me preocupou muito. Depois das denúncias que eu fiz, né? Da derrubada ilegal de mangabeira e das retiradas ilegais, que ainda está acontecendo de madeira, né? Sucupira, pau-ferro, Ipê aqui na área de proteção ambiental Piquiri-Una, no nosso território.”, completou. 

No vídeo, a liderança completa dizendo que não vai se calar e vai continuar resistindo junto com seus parentes. “Já sofri tentativas de emboscadas e já denunciamos essas emboscadas. Tenho sofrido várias formas de intimidações e hoje (9) de maio de 2024, fui surpreendido por um relato urgente por um dos meus irmãos. Foi mais uma tentativa de me tirar do território e tão tentando me calar”, diz.

Luiz Katu também informou que já realizou um boletim de ocorrência sobre o caso, acionou o Ministério Público Federal e pediu para ser incluído no Programa de Proteção a Vítimas e Testemunhas.

Confira o vídeo denuncia:

Entenda o caso

A Área de Proteção Ambiental (APA) APA Piquiri-Una, tradicionalmente ocupada por indígenas do povo Potiguara Katu, estava sofrendo com desmatamento ilegal por canavieiros. De acordo com o cacique, uma área equivalente a 10 campos de futebol onde existia uma plantação de mangabas foi derrubada. Os criminosos ainda estavam colocando fogo na região das mangabeiras para desaparecer com o entulho da mata derrubada. O líder indígena ainda disse que o desmatamento na APA Piquiri-Una não é novidade, e pediu mais uma vez apoio dos órgãos.

A Procuradoria Geral do Estado do Rio Grande do Norte (PGE/RN), órgão de representação judicial, extrajudicial e consultoria jurídica do governo estadual, iniciou uma investigação sobre a denúncia de desmatamento ilegal.  No documento assinado pela procuradora Marjorie Madruga, é ressaltado que, no relato feito pelo cacique Luis Katu, se encontram diversas violações aos direitos humanos, praticadas por particulares e também pelo Poder Público, revelados no desmatamento ilegal e queimadas feitas em bens essenciais à segurança alimentar da comunidade por canavieiros.

PF investiga desmatamento em área de proteção ambiental no interior do RN
PF investiga desmatamento em área de proteção ambiental no interior do RN | foto: reprodução PF

Com isso, após as investigações, a Polícia Federal indiciou no dia (11) de maio, dois empresários que são investigados por promover desmatamento não autorizado no município de Espírito Santo/RN, mais precisamente na  Área de Proteção Ambiental Piquiri-Uma,  no território Potiguara Katu.

O desmatamento, realizado para fins de plantio de cana-de-açúcar, tem sido feito mediante a utilização de tratores de esteira e outras máquinas. O dano ambiental foi constatado por meio de exame pericial que demonstrou uma vasta derrubada de mangabeiras na área de coleta de mangaba dos rurícolas da etnia “Catu”, os quais encontram-se sob regularização perante a FUNAI, como indígenas.

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