Vídeo mostra construções em borda de falésias de Tabatinga
Natal, RN 28 de mai 2024

Vídeo mostra construções em borda de falésias de Tabatinga

27 de março de 2024
4min
Vídeo mostra construções em borda de falésias de Tabatinga
Imagens de falésias em Tabatinga I Imagens: cedidas

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O deslizamento de parte de uma falésia na Praia de Tabatinga, no município de Nísia Floresta, no litoral Sul do Rio Grande do Norte, nesta terça (26), provocou o deslocamento de dois mil metros cúbicos de material e a queda de um bloco com mais de uma tonelada que alcançou uma distância de 15 metros da falésia.

Os dados foram coletados nesta quarta (27), com uso de drone e outros equipamentos, pelo professor do Departamento de Geografia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Rodrigo de Freitas. No mesmo local da queda de ontem, foi possível constatar a existência de construções erguidas na borda das falésias, uma delas com apenas três metros de distância.

De acordo com o professor da UFRN, o Código Florestal estabelece que novas construções devem manter, no mínimo, 100 metros de distância das bordas de falésias, que também são conhecidas como paredões.

Nesta quarta (27), a justiça determinou a demolição de parte de uma pousada localizada em Pipa, na vizinha Tibau do Sul, justamente, por ter sido erguida em uma Área de Preservação Permanente (APP), na borda de uma falésia.

Aquecimento global

O pesquisador da UFRN aponta que os deslizamentos de falésias, que é um fenômeno comum da natureza, têm se acelerado e acontecido com uma frequência maior do que o esperado por causa dos efeitos do aquecimento global que, entre outras coisas, têm elevado o nível do mar.

Tem relação com as mudanças climáticas e a elevação do nível do mar, que vai solapando, erodindo, removendo o material na base da falésia à medida que a onda vai batendo e a rocha que está em cima, colapsa por gravidade. Como estamos num período chuvoso, a água umedece a rocha e ela fica mais pesada. Na medida que o material cai e a maré alta atinge seu topo, vai lavando, removendo todo aquele material argiloso, que vai dando a coloração à água. Uma das coisas que vamos fazer é medir o tempo que leva para que a água leve todo o material que colapsou”, detalha o professor Rodrigo de Freitas.

Além do risco para quem está na parte de cima, a queda de falésias também é um perigo para quem está em baixo, na região da praia. É comum banhistas procurarem abrigo na sombra dos paredões, que podem acabar se enganado com a falsa aparência de estabilidade do terreno.

O fato de a maré remover o sedimento gera a impressão para as pessoas de que ali não tem queda de material, ou seja, a área não está colapsando. Depois de um tempo, o mar vai remover todo esse material que caiu”, alerta o pesquisador da UFRN.

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