Greve UFRN: DCE pede suspensão do calendário em ato nesta quinta (25)
Natal, RN 30 de mai 2024

Greve UFRN: DCE pede suspensão do calendário em ato nesta quinta (25)

23 de abril de 2024
6min
Greve UFRN: DCE pede suspensão do calendário em ato nesta quinta (25)
Imagem: Cícero Oliveira/Agecom UFRN.

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Pela defesa da suspensão do calendário acadêmico durante a greve como medida para garantir a igualdade de condições de aprendizado, além de fortalecer o movimento grevista dos servidores técnico-administrativos e dos professores. É com esses objetivos que o Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) promove, nesta quinta-feira (25), o dia da mobilização pela suspensão do calendário acadêmico. 

O DCE promove, na ocasião, uma oficina de cartazes e estêncil no horário de 9h às 17h, na Reitoria da UFRN, campus Central. No mesmo local ocorre, às 14h, um ato pela suspensão do calendário acadêmico.

Nesta segunda (22), os professores da UFRN entraram em greve por tempo indeterminado após um plebiscito que teve mais de 60% dos votos favoráveis à paralisação. Os docentes se somam aos servidores técnico-administrativos da instituição, que estão paralisados oficialmente desde o dia 14 de março.

Apesar disso, a UFRN informou que a discussão sobre possíveis alterações no calendário universitário só irá ocorrer após a finalização da greve. Stefany Kovalski, coordenadora geral do DCE, pontua que a decisão da Reitoria não resolve os problemas dos estudantes, a exemplo da questão dos transportes circulares da universidade.

“Essa resposta da Reitoria é muito aquém do que a gente espera. Muitas coisas estão dificultando os estudantes a estarem chegando na universidade. Precisamos garantir que o estudante não seja prejudicado”, afirma Kovalski.

A Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (STTU) de Natal confirmou à Agência Saiba Mais que não haverá operação dos circulares Expressos da UFRN a partir desta terça (23), permanecendo apenas a operação normal dos circulares Direto e Inverso. De acordo com a pasta, a decisão se deu após a diminuição da demanda devido à greve dos docentes.

Para Kovalski, essa é uma decisão que prejudica os estudantes que ainda estão precisando comparecer a algumas aulas de professores que optaram pela não adesão à greve. “Por isso a gente defende que o calendário acadêmico da UFRN seja suspenso, para não prejudicar nenhum estudante”, argumenta a coordenadora do DCE.

Além disso, não suspender o calendário acadêmico acaba, também, enfraquecendo o movimento paredista dos docentes, ressalta Kovalski. “Muitos professores vão estar dando aula, e isso prejudica também os estudantes, já que muitas vezes pode haver o desencontro de informações e a gente pode acabar perdendo algum conteúdo”.

“Nós do DCE apoiamos a greve dos professores e dos servidores técnicos, pois acreditamos que precisa ter não só os reajustes salariais, mas uma recomposição do orçamento das instituições federais de ensino”, argumenta Kovalski. “Então para nós essa decisão de não suspender o calendário enfraquece, sim, o movimento grevista, pois faz com que os professores tenham uma justificativa para estar furando a greve”.

Além disso, ela ainda chama a atenção para a questão dos professores substitutos, temporários e visitantes da UFRN. Em ofício divulgado na sexta-feira (19), a Pró-Reitora de Gestão de Pessoas (Progesp) da instituição afirmou que essa categoria de professores podem exercer o direito da greve. No entanto, ainda segundo a UFRN, se não for possível a compensação das horas devido ao término dos contratos, "o docente terá que efetuar a devolução de valores recebidos por horas não trabalhadas durante a greve.”

A coordenadora do DCE ainda pontua que os atos pela suspensão do calendário acadêmico que acontecem nesta quinta (25) são uma forma de mostrar a posição dos estudantes. “Esse é o momento da gente mostrar pra Reitoria qual é o nosso posicionamento estudantil em relação ao calendário”, defende.

Movimento grevista

No contexto nacional, atualmente mais de 50 universidades e cerca de 80 institutos federais (IFs) estão em greve, de acordo com um levantamento realizado pelo g1. No estado, além da UFRN, os servidores do Instituto Federal Rio Grande do Norte (IFRN) também estão em greve. Na Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa), os técnicos administrativos aderiram à paralisação.

Ao contrário da UFRN, que decidiu até o momento não suspender o calendário acadêmico, o IFRN recomendou a suspensão do calendário de 2024 em todos os 22 campi.

De acordo com o sindicato que representa os docentes da UFRN, o Adurn, os professores da instituição, em greve desde segunda (22), reivindicam:

  • Reajuste salarial linear de 7,06%, em 2024, mais 7,06% em 2025, e 7,06% em 2026, totalizando 22,8%;
  • Reestruturação das carreiras do Magistério Superior (MS) e Ensino Básico, Técnico e Tecnológico (EBTT);
  • Recomposição do orçamento das instituições federais de ensino.

Nesta segunda-feira (22) o reitor da UFRN, José Daniel Diniz Melo, recebeu estudantes da instituição para esclarecer dúvidas sobre o funcionamento da universidade durante a greve. Como explicado pela UFRN em seu portal, na ocasião o reitor continuou a afirmar que possíveis alterações no calendário universitário serão discutidas somente após a finalização da greve. “Nesse sentido, a instituição não pode suspender as atividades, em respeito ao direito constitucional de greve dos trabalhadores, bem como à decisão de cada técnico e docente pela não adesão à paralisação”, diz a matéria da UFRN.

A instituição ainda informou que criou comissões de mediação junto às representações das categorias, para dar encaminhamentos durante a paralisação.

Para Adurn, posição da Reitoria não enfraquece a greve

Para o Adurn-Sindicato, a postura da reitoria de não suspender o calendário acadêmico não enfraquece o movimento grevista. Oswaldo Negrão, presidente do sindicato, afirmou à Agência Saiba Mais que aderir ou não à greve é uma decisão de cada trabalhador. “Toda greve é direito do trabalhador, mas a gente não pode obrigar a categoria como um todo entrar em greve. É uma questão de consciência de classe”, defendeu. “Nós precisamos trabalhar, enquanto sindicato e categoria, para sensibilizar professores e professoras, os estudantes e os técnicos, do motivo desse movimento”.

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