Pescadoras do RN defendem seus maretórios em audiência pública
No Dia Internacional da Mulher, pescadoras do Rio Grande do Norte se reuniram em uma audiência pública para defender seus maretórios, ecossistema rico em biodiversidade importante para as diversas comunidades costeiras que dependem dele para pesca, coleta de mariscos e acesso a recursos marinhos. O evento contou com a presença de representantes de colônias de pesca, associações de marisqueiras e diversas organizações, totalizando 92 participantes.
Organizada como parte do projeto “Mulheres construindo jornadas de luta em defesa de seus maretórios no RN – MUDEM“, a audiência é resultado de seis meses de formação política das mulheres pescadoras da Rede Manguemar, com apoio do Fundo Sociambiental Casa e coordenação da Oceânica.

Diferente das audiências públicas convencionais, esse encontro foi construído pela sociedade civil organizada, visando ecoar as vozes das comunidades e suas experiências de trabalho e resistência.
“A nossa audiência pública popular é diferente das audiências públicas que estamos acostumadas a ver na câmara municipal e na assembleia legislativa. É o que chamamos na pedagogia feminista de formação na ação”, afirma a arquiteta feminista Claudia Gazola, educadora da Oceânica .
Além disso, foi apresentada a sentença produzida pelo Tribunal Popular das Pescadoras em Defesa dos seus Maretórios, destacando as violações e ameaças enfrentadas pelas comunidades pesqueiras diante do avanço das energias renováveis no estado.
A Subsecretaria da Pesca do RN, o Centro de Referência em Direitos Humanos Marcus Dionísio – CRDH-UFRN, o Ministério Público Federal, a Defensoria Pública da União e o Centro de Apoio Operacional às Promotorias de Justiça de Defesa da Cidadania (Caop-Cidadania) estiveram presentes para dialogar sobre os desafios enfrentados pelas pescadoras e buscar soluções para garantir seus direitos e proteger seus territórios.
Rede MangueMar
A Rede MangueMar (RN) é composta por 39 instituições atuantes nos 410 km de costa potiguar. Trata-se de um coletivo que tem como estratégia, abraçar bandeiras na zona costeira do RN que lutam por justiça socioambiental. Na composição da Rede, reúnem-se Colônias, Associações, Movimentos e Articulações de pescadores e pescadoras; Pastorais sociais; ONGs/OSCs; Fóruns; Pesquisadores/as; e Instituições de pesquisa e ensino.
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Essa reportagem faz parte do projeto “Ser Mana, Mulher”, idealizado pela Agência SAIBA MAIS para produção de pautas dedicadas a temas que impactam diretamente a vida das mulheres, ao tempo que contamos as histórias de Mulheres.
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