“No Seridó a Reza é Forte” destaca indígenas e africanos no RN
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“No Seridó a Reza é Forte” destaca indígenas e africanos no RN

25 de novembro de 2023
4min
“No Seridó a Reza é Forte” destaca indígenas e africanos no RN
Foto: cedida

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No cenário da caatinga do Seridó, no município de Timbaúba dos Batistas, surge o documentário “No Seridó a Reza é Forte”, que tem roteiro e direção da jovem Santana Taciana, descendente de indígenas da região. Com Taciana estão, no mesmo projeto, Catarina Araújo, conhecida como “Catarina Calungueira” (direção de fotografia), Alex Macedo (assistente de fotografia), Júlio Cesar, o “Julinho de Tia Lica” (captação de áudio e montagem), Roberta Barbosa e Eric Fernandes (assistência de set de filmagens) e Thiago Toscanno ( making off).

O documentário é viabilizado através de aprovação no Edital da Lei Paulo Gustavo do Município de Timbaúba dos Batistas. O projeto "No Seridó a reza é forte" foi aprovado em 21 de agosto e, em setembro, o município pagou.

A reza como resistência é o eixo do curta metragem, abordando a história de “Dudé”, com a espiritualidade de matriz africana; e “Dona Neném”, de ancestralidade indígena, que é rezadeira.

“Dudé”, de matriz africana | Foto: cedida

O documentário conta a história de dois rezadores. Buscamos as ancestralidades africanas e indígenas, sendo a africana representada por Dudé, que é um mestre umbandista e juremeiro, de Timbaúba dos Batistas, sobrinho de uma grande rezadeira, e auxiliado pelo mestre Antônio de Noca. Dudé tem hoje uma Casa de Jurema e expressa a corporeidade africana e espiritualidade de resistência, como homem negro retinto, numa sociedade racista. Destacamos também a ancestralidade indígena, através da minha mãe, rezadeira, que é neta de Ana Maria Júlia da Conceição, indígena capturada à casco de cavalo e dente de cachorro”, relata Taciana, diretora e roteirista.

Taciana, graduada em Filosofia pela Universidade Estadual do Rio Grande do Norte (UERN), explica que é descendente dos Tarairiús/Otxukayone, sendo ela a primeira da família a ter curso superior. Sua mãe, mulher indígena, bordadeira, agricultora e lavadeira de roupas, é também rezadeira.

Minha mãe me criou e me formou na faculdade lavando roupa, bordando e cultivando a terra, e pescando. Aos 8 anos ela foi vítima do trabalho infantil, nas grandes fazendas de Serra Negra do Norte. Passou pelo processo da escravização nas cozinhas dos grandes fazendeiros. Minha mãe é rezadeira, e começou a rezar numa gravidez. Ela não podia ter filhos, e como não tínhamos médico, encontrou na reza uma forma de cura. Aprendeu a rezar com o pai dela, Otávio, e a madrinha Izabel. Eu como filha e mulher indígena, estou aprendendo a rezar com ela, dando continuidade à fé dela, a esta ancestralidade, expressando esta resistência. Somos descendentes dos tarairiús/ otxukayone, que os europeus chamavam genericamente de tapuias. Era um termo para etnias do interior

Santana Tacitana, descendente de indígena e bacharel em Filosofia

Catarina Araújo atua na direção de fotografia e fala do encantamento em ouvir e contar histórias, levando tudo que compõe o Seridó, para outros lugares, através de documentários como “No Seridó a Reza é Forte”.

Além de poder ouvir e contar estas histórias, a partir de outros olhares e caminhos, também temos a oportunidade de levar as histórias, daqui do Seridó, para qualquer lugar do mundo, através de outras falas, e de diferentes pontos de vista. É isso que tem me encantado, de levar quem a gente é, aqui no Seridó, para outros lugares, e poder contar as nossas histórias através de nossa gente. Isso é muito bom de vivenciar”, destaca Catarina.

Taciana fortalece o objetivo do documentário, de mostrar o Seridó como lugar de resistência, tanto do povo indígena quanto do povo africano, que tanto se expressa através das suas crenças.  

"No Seridó a reza é forte', vem com esse intuito de expressar que o Seridó é uma terra indígena, com tapuia, tairariú, takaomi, e que também acolheu e acolhe a forte presença dos povos africanos. Não é o Seridó branco, católico, conservador. É um Seridó plural, multiétnico e a gente quer expressar isso através da reza" conclui Taciana. 

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Essa reportagem faz parte do projeto "Saiba Mais de perto", idealizado pela Agência SAIBA MAIS, e financiado com recursos do programa Acelerando Negócios Digitais, do ICFJ/Meta e apoio da Ajor.

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