Em Ouro Branco, a preservação do patrimônio coloriu a cidade
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Em Ouro Branco, a preservação do patrimônio coloriu a cidade

27 de novembro de 2023
6min
Em Ouro Branco, a preservação do patrimônio coloriu a cidade
Foto Francisco Celso

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Fundada em 1905, a cidade de Ouro Branco, na região Seridó do Rio Grande do Norte, tem 4.913 habitantes, de acordo com o censo de 2022, e seu nome faz referência à época da alta produção do algodão mocó no Seridó, que funcionava como eixo da economia local.

Na arquitetura do município destacam-se as casas da Rua Tenente Manoel Cirilo, que é chamada por todos como “a Rua de Baixo”. Foi na “Rua de Baixo” que Ouro Branco começou, e é nesta rua, que estão as memórias mais antigas da cidade, tanto nas lembranças quanto nas fachadas das casas, pelos traços da arquitetura. Com o passar dos anos, começou a ter alteração na arquitetura de algumas residências e surgiu a preocupação do município em promover ações de preservação do patrimônio, resultando neste trabalho de pintura das fachadas, para valorizar estas residências que contam a história do lugar.

Com a parceria do Senai com município de Ouro Branco, através da Secretaria de Cultura e Secretaria do Trabalho, Habitação e Assistência Social, foi iniciado curso na área de pintura em construção civil, sendo a parte prática direcionada para a restauração das fachadas das residências antigas e canteiros. A pintura abrange 37 casas, sendo que 30 já foram pintadas e as demais serão concluídas até dezembro.

Começamos a construir algumas políticas públicas para Cultura, de preservação do patrimônio histórico, porque percebemos que muitas fachadas, belíssimas, foram destruídas para dar lugar a construções tidas como modernas; mas, sem referência ou preocupação, com o que conta nossa história. O Município poderia ter direcionado a prática da capacitação do Senai, para prédios públicos, mas, houve esta sensibilidade de preservar o patrimônio”, informa Lenilson Azevedo, secretário de Cultura do Município.

Observando o colorido das casas, o Inácio Gonçalves de Souza, 68 anos, demonstra alegria pela revitalização da rua, e o colorido traz memórias felizes, da sua infância. Ele conta que sua casa tem mais de 100 anos, mas ele mora ali há 36 anos. Antes morava na zona rural, mas vinha estudar em Ouro Branco e a Rua de Baixo era onde a criançada brincava.

Relembro quando eu jogava com bola de meia, e brincava de barra bandeira, nesta mesma rua. Não tinha energia elétrica, mas era todo mundo feliz. Agora o projeto traz estas lembranças e trouxe beleza para nossa rua, com a valorização das nossas casas. Esta minha casa não sei dizer a idade exata dela, mas, sei que é centenária, ela tem mais de 100 anos”, diz Inácio Gonçalves.

Entre os moradores, também está Lindalva da Conceição Medeiros, 66 anos. Muito satisfeita com sua casa colorida em lilás, da calçada ela sorri, observando as cores vibrantes de sua rua. É de dona Lindalva a autoria de muitos vídeos que foram divulgados pelas redes sociais. “Estou muito feliz em ver minha rua colorida, principalmente minha casa. Agradeço ao Município, por ter escolhido nossa rua para este trabalho”, diz ela.

Dona Lindalva Medeiros, moradora da Rua de Baixo | Foto: cedida

Na turma do curso, está a jovem Flávia Lígia Lucena, que sempre gostou da área de construção e arquitetura, e viu no curso uma oportunidade de adquirir conhecimento. “Eu quero continuar a trabalhar nesta área.  Agradeço muito por fazer história, me sinto feliz, por fazer parte desta revitalização da rua histórica, que deu início a nossa cidade”, revela Flávia Lucena.  

No curso de pintura de obras, entre 7 alunos, 3 são mulheres. No início, isso causou estranheza entre as pessoas, por não ser comum na região mulheres atuando em construção civil, especialmente como pintora de parede. Mas, se depender de Flávia, ela vai quebrar o tabu e surpreender ainda mais, dando continuidade ao que aprendeu.

Flávia Lígia Lucena: "A mulher trabalha onde ela quiser, e eu quero continuar a trabalhar nesta área" 

Me identifico muito com esta área. Abracei esta oportunidade, quero muito crescer, porque pretendo seguir nesta área. A turma tem três mulheres e no começo fomos um pouco criticadas. Tentaram nos desestimular, mas, a mulher estuda o que quiser e trabalha onde ela quiser. Para onde a mulher quiser, ela vai. Tentaram intimidar, dizendo que eu não iria seguir com isso, mas continuo batendo na tecla, que eu vou continuar, e se Deus quiser, vão aparecer novas oportunidades, para trabalhar nesta área”, diz a determinada Flávia Lucena.

Com o acolhimento da população ao trabalho de revitalização, o município pretende manter políticas públicas que despertem, nos moradores, este sentimento de identidade com as peculiaridades do lugar, resultando num trabalho recíproco de preservação do patrimônio.

Agora vamos institucionalizar esta política de preservação, para que o Município preserve e fique mantendo anualmente, como forma de motivar os proprietários a manterem suas fachadas antigas”, explica o secretário de Cultura Lenilson Azevedo.

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Essa reportagem faz parte do projeto "Saiba Mais de perto", idealizado pela Agência SAIBA MAIS, e financiado com recursos do programa Acelerando Negócios Digitais, do ICFJ/Meta e apoio da Ajor.

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