Redinha: trabalhadores seguem desamparados após 3 meses de protestos
Natal, RN 2 de mar 2024

Redinha: trabalhadores seguem desamparados após 3 meses de protestos

2 de dezembro de 2023
6min
Redinha: trabalhadores seguem desamparados após 3 meses de protestos
Obra do mercado da redinha está atrasada. Foto: Leandro Juvino

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Os trabalhadores da praia da Redinha, na Zona Norte de Natal, continuam sem o direito de trabalhar, mesmo quase 3 meses depois de manifestações que fecharam o trânsito. No feriado de 7 de setembro, uma das datas que os trabalhadores mais lucram, os ambulantes, garçons, cozinheiros e funcionários de outros setores protestavam, pela terceira vez, para poder exercer suas funções. 

Acontece que até hoje esses funcionários continuam desamparados. “Toda vida que montamos uma barraca, a prefeitura vem aqui pra fechar tudo”, relata um trabalhador que prefere não se identificar com medo de retaliações. Na época, a Agência Saiba Mais foi até a praia da Redinha para conversar com trabalhadores que alegaram: “Eles [A Prefeitura de Natal] querem que a gente se dane”.

Dessa vez, os trabalhadores da Redinha denunciam a precariedade da praia, o impedimento de trabalhar e falta de amparo por parte da Prefeitura do Natal, especialmente da Secretaria de Meio Ambiente e Urbanismo (Semurb). A pasta é a responsável por fiscalizar a obra e o acordo indenizatório que contempla 20 quiosqueiros da praia. Eles receberam entre R$25 mil e R$50 mil, dependendo da atividade exercida e da volta ou não da ocupação da orla. 

Segundo os trabalhadores, a fiscalização está impedindo os comerciantes de colocarem guarda-sóis na praia. “Esse calor que está fazendo no país todo e a gente não pode colocar um guarda-sol pra se proteger. Ninguém fica no sol com essas temperaturas altíssimas. A menina que me ajuda foi parar na UPA com insolação! A gente não tem condições de continuar assim”, denunciaram. 

Existem tentativas de acordo por parte dos comerciantes e pastas. Entretanto, essas negociações são lentas e apenas o trabalhador sai perdendo. “Estamos tentando negociar mas é muito difícil. Colocar 3 mesas é muito pouco, ainda mais sem guarda-sol pra se proteger do calor”, lamentou um deles. 

Obra do Complexo Turístico atingem 50% de conclusão em atraso

Na semana passada, a Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seinfra) informou a conclusão de 50% das obras gerais do Complexo Turístico da Redinha. Com destaque para a pavimentação asfáltica promovida no entorno do complexo e as obras no setor onde vão ficar os boxes para o artesanato e os restaurantes. Outra coisa avançada foi a nova iluminação no local. 

Além disso, os outros lotes das obras do Complexo contam com a requalificação do sistema de defesa costeira, da Praia da Redinha, do trecho do rio Potengi e a drenagem e urbanização do entorno do Mercado Público da Redinha. Não só isso, mas também a reestruturação viária do antigo acesso à Redinha, com capeamento asfáltico e execução do passeio com acessibilidade do trecho da Av. Doutor João Medeiros Filho a partir do viaduto da Redinha até o entroncamento com a rua Francisco Ivo, rua José Herôncio de Melo, a partir da rua Francisco Ivo até a rua Engenheiro Clóvis Aragão. Inclui também a rua Engenheiro Clóvis Aragão, a partir da rua José Herôncio de Melo até a av. João Medeiros Filho.

Acontece que o que devia ser uma comemoração, é um sinal de alarme para os comerciantes da praia. As obras do Novo Mercado da Redinha deviam ter sido entregues em setembro de 2023. Entretanto, a nova previsão da prefeitura é a entrega das obras somente no início de 2024. 

Os comerciantes dizem que alguns lotes dessas obras deveriam ter sido entregues há muito tempo e isso atrapalha o retorno dos trabalhadores à orla, pois uma justificativa para esse impedimento é o risco de danos físicos dos trabalhadores. 

“Essa obra devia tá pronta há muito tempo”, denunciam comerciantes. Foto: Leandro Juvino/ Saiba Mais

Justiça negou pedido para trabalhadores ocuparem a faixa de areia

Ainda em setembro, o juiz federal Hallison Rego Bezerra, indeferiu o recurso proposto pelo vereador Daniel Valença (PT) justificando que a liberação da ocupação poderia atrapalhar as obras que acontecem no local. 

Foram feitas audiências públicas populares, chamadas com a Secretaria de Meio e Ambiente e Urbanismo e a Secretaria Municipal de Serviços Urbanos. Depois foram feitos atos, inclusive na frente da prefeitura, onde o secretário de gabinete civil ouviu os manifestantes. Enfim, se tentou de todas as formas resolver a questão na via da negociação administrativa, mas isso não foi possíve.”, justificou o advogado do mandato petista na época.

A Agência Saiba Mais procurou a Secretaria de Meio Ambiente e Urbanismo (Semurb), mas até o fechamento desta matéria não foi enviada respostas.

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Essa reportagem faz parte do projeto "Saiba Mais de perto", idealizado pela Agência SAIBA MAIS, e financiado com recursos do programa Acelerando Negócios Digitais, do ICFJ/Meta e apoio da Ajor.

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