Endometriose : doença causa dores fortes e dificulta rotina
Natal, RN 26 de mai 2024

Endometriose : doença causa dores fortes e dificulta rotina

15 de março de 2024
7min
Endometriose : doença causa dores fortes e dificulta rotina
Imagem: Reprodução/iStock

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A última quarta-feira marcou o Dia Nacional de Luta Contra a Endometriose, que acontece em 13 de março. A data tem como objetivo chamar a atenção da sociedade para uma doença que acomete sete milhões de mulheres no Brasil, de acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). Por isso, esse mês é conhecido como Março Amarelo, campanha que busca informar a população acerca da doença. É importante ressaltar que a endometriose pode acometer, também, homens trans e pessoas não-binárias.

A médica ginecologista e obstetra Ivete Matias explica a doença: “A endometriose é uma doença crônica que surge na vida reprodutiva da mulher e é causada pois alguns fragmentos de uma parte interna do útero, que é descamada durante a menstruação, em vez de sair junto com o fluxo menstrual, faz o sentido contrário, voltando para dentro da cavidade abdominal. Então são fragmentos do útero implantados fora dele”, ressalta Matias, destacando que esses fragmentos podem ficar implantados em regiões como ovário, útero, intestino, vagina, reto ou no colo do útero.

Como apontado pela ginecologista, o principal sintoma é a dor, que começa quando o período menstrual está perto de iniciar, e se perpetua até depois que a menstruação vai embora, “pois fica agindo ali como um processo inflamatório”, explica.

Muitas pessoas acometidas pela doença, no entanto, não têm acesso a informações sobre a temática. Além disso, existe uma normalização da dor feminina. Como explica a médica, há mulheres que, por conta da endometriose, chegam a perder empregos e também a ter problemas de relacionamento. “A mulher tem dor e tem sofrimento”, destaca.

Também é possível ter endometriose sem útero, desde que o tecido semelhante ao endométrio seja encontrado em regiões como a cavidade abdominal ou o intestino. É o caso de Ingrid Oliveira, de 47 anos e professora de educação física. Como ela conta, no caso dela, a endometriose se criou no espaço que antes estava o útero, que ela escolheu retirar. No início, apesar de sentir sintomas graves, como cólicas fortes, prisão de ventre, sangramentos e dores nas relações sexuais, Ingrid não sabia do que se tratava. Após exames de rotina, há dois anos, veio o diagnóstico da endometriose profunda. “Mas ainda era como se eu menstruasse, porque o endométrio inflamava e vinha sangue, junto com as cólicas muito fortes”, relata.

As adversidades de quem convive com a endometriose são diversas. Além das dores profundas, a ginecologista Ivete Matias também aponta as dificuldades com as relações sexuais e a de realizar atividades diárias. Todos esses obstáculos fazem parte da vida de Ingrid, que passou a ter dificuldades, por exemplo, para dar aulas. “Muitas vezes eu ficava na escola com dores insuportáveis, e tinha que normalizar a dor. Às vezes precisava fingir que aquilo era uma dor normal”, narra a professora, que também destaca como, nessas condições, as aulas não rendiam como deveriam: “Ainda mais que eram aulas de educação física. Eu precisava estar animada para poder animar os alunos. Mas me faltava energia”.

No momento, Ingrid está afastada do trabalho. Mas os problemas que a endometriose causam a ela também afetam as relações sexuais. Ela conta que, recentemente, por conta dessa questão, decidiu se afastar do parceiro. “Eu não estava conseguindo corresponder e achei melhor me separar. Eu sei que o sexo na relação não é tudo, mas foi uma das coisas que fez eu me afastar, pois eu sentia muita dor”, conta. “Todas as vezes que se abria a possibilidade do sexo, eu já começava a sofrer antecipadamente. O sexo acabou se tornando pra mim um tabu, porque é muito doloroso, e isso também é emocionalmente muito ruim”, explica.

Ingrid já chegou a ir no pronto socorro para tomar anestésicos em casos de muita dor. Ela também toma hormônios receitados por uma médica que a acompanha: “Ela disse que melhoraria durante seis meses. Ficou mais confortável, porém não tanto”.

Desde 2022, ela tenta fazer uma cirurgia para conseguir maior qualidade de vida em relação à endometriose. Nenhuma das tentativas deu certo, por motivos médicos, mas ela continua no processo de encontrar alternativas para conseguir viver de forma mais saudável e melhor. “Eu tenho perdido muitas coisas com essa doença. Perdi a vontade do sexo, perdi o meu parceiro e perdi a minha paz de estar bem e disponível para o meu trabalho”, desabafa.

Tratamentos para a endometriose

A ginecologista Ivete Matias aponta quais são as formas de tratamento para a endometriose. Segundo ela, a doença pode ser tratada por hormônios, cirurgia, fisioterapia, dieta alimentar e também por meio da psicoterapia – “já que afeta muito o emocional da mulher”, explica.

“A cirurgia pode ser para retirada de cistos, se houver, os focos de endometriose ou pode ser realizada histerectomia, ou seja, retirada do útero, no caso das pessoas que não querem mais ter filhos, ou mesmo a retirada do útero e dos ovários, sendo essa última a mais completa”, finaliza.

Essa reportagem faz parte do projeto “Ser Mana, Mulher", idealizado pela Agência SAIBA MAIS para produção de pautas dedicadas a temas que impactam diretamente a vida das mulheres, ao tempo que contamos as histórias de Mulheres.

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