Jurema Coletivo de Dança traz dança contemporânea para Caicó
Natal, RN 22 de fev 2024

Jurema Coletivo de Dança traz dança contemporânea para Caicó

9 de dezembro de 2023
8min
Jurema Coletivo de Dança traz dança contemporânea para Caicó
Foto: cedida

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O Jurema Coletivo de Dança é um coletivo dentro da Associação Cultural Trapiá que tem levado a Caicó espetáculos de dança contemporânea, dialogando, através da expressão corporal, sobre questões sociais, com ênfase em temas relacionados à mulher. O Coletivo surgiu em 2021, a partir de encontros no Estúdio de Dança Monica Belotto, da dançarina Mônica Belotto, que é graduada em Dança e tem especialização em Consciência Corporal.

Atualmente o Jurema Coletivo de Dança tem como componentes fixos a dançarina, atriz e coreógrafa Mônica Belotto e Leidson Macedo Félix, o “Capitão Jack”, multiartista, ator, artista circense e poeta. O Coletivo trouxe para os palcos de Caicó a liberdade dos movimentos, que não exige técnica específica.

“Qualquer corpo, dança. A dança contemporânea é muito democrática, já que não existe uma técnica específica, não existe um padrão de movimento específico, que você tenha que cumprir. Todo movimento serve, desde que esteja a serviço da sua expressão, então, é uma forma de dança que qualquer corpo pode dançar”, afirma Mônica Belotto.

A estreia do Coletivo foi em 2021, com o espetáculo Nosotras, que trouxe as bailarinas Monica Belotto, Carla Cíntia Dutra e Ihana Santos, estreando virtualmente – na pandemia - dentro da programação da Aldeia Sesc. A trilha do espetáculo trouxe 13 músicas, compostas e interpretadas principalmente por mulheres, entre elas, “Jurema”, cantada por Rita Benneditto, “Canción Sin Miedo” de Vivir Quintana, e “Meu Guri”, de Chico Buarque, cantada por Elza Soares.

A coreógrafa do espetáculo Nosotras, Mônica Belotto, destaca a importância do retorno do público, no sentido de expressar sobre a interpretação do espetáculo. Ela explica que na dança contemporânea é fundamental transmitir a mensagem, através da expressão corporal.

Muita gente se surpreendeu e veio falar com a gente, dizer que entendeu a mensagem, que foi emocionante e algumas pessoas até quiseram baixar a playlist do espetáculo. Isso foi muito importante, porque quando pensei em fazer, era isso que eu queria ouvir das pessoas. Uma preocupação que eu tenho, como coreógrafa, é criar espetáculos e danças, em que essa informação consiga chegar no público. É preciso educar o olhar para ver a dança contemporânea, porque estamos condicionados a ver aquela dança com passos determinados, mas, a gente, como artista, tem que compreender qual o nosso público, e traçar caminhos, para que essa comunicação seja eficiente”, avalia Mônica Belotto.

Outro espetáculo do Jurema Coletivo de Dança é “De Amores”, que esteve na programação da Aldeia Sesc, em 2022, e se destacou por ser apresentado por quatro mulheres, de corpos e idades diferentes, para tratar sobre os diferentes tipos de amor: amor próprio, amor fraternal, amor por coisas, amores possíveis, amor por amigos e até os desamores.

Em “De Amores” foram quatro dançarinas criadoras, que também se debruçaram na criação do figurino, pesquisa de trilha sonora e na dança: Carla Cíntia Dutra, Caroline Dantas, Ihana Santos e Mônica Belotto. A Trilha Sonora traz Love Me Tender, de Elvis Presley, com interpretação de Patu Fu, Amarração do Amor, de composição e interpretação de Tom Zé, Soneto de Fidelidade, de Vinicius de Moraes, com interpretação de Camila Morgado, Cofrinho de Amor, composição e interpretação de Elino Julião, e outras músicas, todas com amor no tema central.

No processo de criar a coreografia, Mônica Belotto explica que é sempre estimulada por uma música que escuta. E a partir desta música, ela visualiza uma cena para ampliar e agregar outras músicas, bem como, movimentos aos dançarinos.

Eu escuto alguma música que me estimula, e eu consigo formar uma imagem da coreografia, consigo ver uma cena para aquela música. A partir dessa cena, eu consigo ampliar, até formar um espetáculo ou performance maior. Daí, vou pesquisar outras músicas, que se encaixam neste tema ou estética e vou selecionar a trilha sonora. Sempre neste processo, eu preciso ouvir a música e conseguir ver esta imagem, até começar a criar movimentos”, explica Belotto.

Atualmente o Jurema Coletivo de Dança foi selecionado no resultado preliminar do edital da Funarte, sendo inclusive o único grupo do Rio Grande do Norte. A seleção aconteceu com proposta do projeto Ocasos Familiares, um trabalho denominado de teatro coreográfico, que prevê a montagem e estreia do espetáculo com artistas de dança, teatro e circo. A concepção e coreografias serão do multiartista Mauricio Motta, que também será bailarino. Outro personagem será o ‘Capitão Jack’, multiartista do circo, da poesia e do teatro. E neste contexto, a personagem principal é a mulher, interpretada por Mônica Belotto, que traz as vivências, com tantos desafios, na sociedade machista.

Em Ocasos Familiares, a dança gira em torno de cenas do cotidiano, dos afazeres diários da vida doméstica, como os hábitos e gestos, remetendo a letra “Cotidiano”, de Chico Buarque: “todo dia ela faz tudo sempre igual...”, em que a mulher está sempre servindo e os homens, sendo sempre servidos.

Outro projeto do Jurema Coletivo de Dança é intitulado de “Sinais”. Ele foi aprovado no edital da Lei Paulo Gustavo, do município de Caicó. Neste espetáculo, duas pessoas participam junto ao Coletivo:  Diogo Pereira, bailarino, professor, e Thalyne Dias, que também tem experiência em dança.

Além dos espetáculos, o Jurema Coletivo de Dança, planeja organizar grupo, atendendo a vontade de pessoas que, a partir dos espetáculos, demonstram o desejo de dançar: “As pessoas têm manifestado vontade de dançar. Então quem sabe para 2024, conseguimos organizar um grupo, com pessoas dos mais diversos corpos, e das mais diversas áreas, que tem manifestado essa vontade”.

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Essa reportagem faz parte do projeto "Saiba Mais de perto", idealizado pela Agência SAIBA MAIS, e financiado com recursos do programa Acelerando Negócios Digitais, do ICFJ/Meta e apoio da Ajor.

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