Lei Paulo Gustavo fomenta criação de documentários sobre o Seridó
Natal, RN 20 de abr 2024

Lei Paulo Gustavo fomenta criação de documentários sobre o Seridó

30 de dezembro de 2023
9min
Lei Paulo Gustavo fomenta criação de documentários sobre o Seridó
Em Serra Negra do Norte, um documentário conta a história do roubo da imagem da padroeira, em 1974

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Com os resultados de editais da Lei Paulo Gustavo nos municípios, as histórias que destacam fatos e personagens marcantes do Seridó ganham espaço no audiovisual, com a criação de documentários. São histórias de seridoenses ou fatos marcantes pela importância histórica, contribuindo para o sentimento de identidade cultural do povo.

Em Timbaúba dos Batistas, o geógrafo Raul Xavier utilizou sua pesquisa de mestrado sobre a formação da sua cidade e desenvolveu o roteiro do curta-metragem, que inclusive já está pronto. Com título de “História, Memórias da Rua da Maloca”, o documentário percorre o cenário de antigas casas até ruínas, mostra moradores e a história de seus antepassados.  

Documentário destaca formação territorial de Timbaúba dos Batistas

Utilizei minha pesquisa de mestrado, sobre a formação territorial da cidade, de forma que o documentário traz a formação da Rua da Maloca, formada por indígenas e afrobrasileiros, que migraram para esta rua depois da saída das fazendas, e da Guerra dos Bárbaros”, explica Raul Xavier.

Também destacando aspectos do lugar, Espedito Victor, de São João do Sabugi, tem como projeto já aprovado no edital municipal, uma websérie de cinco episódios. “O projeto de websérie é voltado ao ecoturismo. Irei explorar cinco lugares de São João do Sabugi e documentar o trajeto, destacando a história e contos antigos daquele lugar”, conta Espedito.

O projeto de Espedito Victor abrange Serra do Mulungu, Pedra Lavrada, lugar reconhecido pelas inscrições rupestres, Igreja Matriz de São João Batista, Capela de São Sebastião, Mina Quixeré e o açude público da cidade.

Em São João do Sabugi, o projeto de websérie destaca o ecoturismo

Em Serra Negra do Norte, um documentário traz a história que atravessa gerações, com indignação e esperança: o roubo da padroeira Nossa Senhora do Ó, em 22 de julho de 1974. “Memórias de Fé: o roubo da santa de Serra Negra do Norte” foi gravado dentro da Igreja Matriz de Nossa Senhora do Ó, com cenas de simulações do fato e entrevistas com Padre Givanildo Medeiros, professora Mara Rúbia e a pedagoga Rita de Cássia, pesquisadoras sobre o assunto, que forneceram ao documentário registros históricos e artigos científicos.

Em 2010 escrevi um artigo falando sobre o roubo da imagem e usei a metodologia da história oral, que tem esse intuito de resgate da identidade e memória de um povo, para fazer um registro científico, a partir do olhar de personagens que vivenciaram aquele fato, que estiveram naquele recorte temporal do acontecimento. Apresentei este artigo em congressos como forma de valorizar a cultura e história”, revela Rita de Cássia.

Entre os entrevistados por Rita para compor o artigo, está o saudoso Padre João Agripino Dantas, que era pároco de Serra Negra na época. Também no artigo, constam elementos dados por Dona Maria dos Anjos, que foi quem primeiro percebeu a ausência da imagem, no altar da padroeira e fez uma carta relatando o fato. Sobre o sentimento do povo serra-negrense, há quase 50 anos do fato, Rita de Cássia diz que “independente de religião quem é serra-negrense tem essa história nas veias. E principalmente as pessoas mais idosas e muito voltados para religião católica, tem ainda a fé que ela volte”. 

Outra fonte de pesquisa que forneceu dados relevantes ao documentário, são as matérias jornalísticas publicadas no jornal impresso Diário de Natal.  O documentário é realizado pela Calango Agência, de Yago Wanderley, tem na Matias Vieira e na pesquisa, Janny Laura.

Nós também buscamos, através da lei de acesso a informação, localizar processos judiciais, localizar inquéritos e não conseguimos. Temos um posicionamento formal da Polícia Civil do Estado, que o inquérito não foi encontrado nem no arquivo central. Hoje a gente aguarda uma resposta de um recurso, com nosso questionamento, que foi apresentado a Polícia Federal”, esclarece Janny Laura.

Outra história que traz fatos reais para o destaque de documentário é “Agora Sou Negro”, aprovado no edital municipal da Lei Paulo Gustavo de Caicó. O documento tem André Vicente, historiador e artista visual, como centro do curta metragem, que é produzido por Pedro Andrade.

O curta mostra a história de André Vicente, como artista que pinta o sertão, com cenários e personagens, mas independente do lugar desse personagem – vaqueiros, boêmios, sertanejos – sempre eram personagens brancos. Com o passar do tempo André se viu num processo de autoconhecimento, na busca pela sua ancestralidade, e aproximou-se cada vez mais da história de sua mãe, Maria de Salgadinho, que foi tema de sua dissertação e era umbandista.  

Em Caicó, um documentário traz o processo de encontro do artista André Vicente, com sua ancestralidade

Neste reencontro consigo mesmo e sua ancestralidade, André começa a pintar o sertão com personagens negros e os orixás ganham destaque nas suas obras. “Imagens de ontem e de hoje estarão no documentário, que considera importante discutir a negritude e suas estratégias de resistência e sobrevivência. André se reinventou e se descobriu”, destaca a sinopse do documentário.  

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Essa reportagem faz parte do projeto "Saiba Mais de perto", idealizado pela Agência SAIBA MAIS, e financiado com recursos do programa Acelerando Negócios Digitais, do ICFJ/Meta e apoio da Ajor.

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