Há 20 anos, Lar da Dona Fátima acolhe animais na Zona Norte
Natal, RN 22 de fev 2024

Há 20 anos, Lar da Dona Fátima acolhe animais na Zona Norte

16 de janeiro de 2024
10min
Há 20 anos, Lar da Dona Fátima acolhe animais na Zona Norte
Dona Fátima cuida e resgata animais há 20 anos - foto: cedida

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O abrigo da Dona Fátima, que fica na Zona Norte de Natal, tem mais de 20 anos de existência e hoje cuida de 89 gatos e 10 cães. Dona Fátima, que começou a resgatar animais machucados na rua, hoje está doente e necessitando realizar uma cirurgia no joelho. O problema é que a cuidadora mantém e sustenta o abrigo dos animais praticamente sozinha, já que não recebe nenhum tipo de ajuda de órgãos governamentais. 

O amor por bichos veio para salvar a vida de Dona Fátima. Isso porque, quando jovem, a cuidadora tinha dificuldades para engravidar e a cada criança que perdia se afundava em uma tristeza profunda. Fazendo terapia, Fátima viu que o amor por animais era uma válvula de escape e o que fazia ela feliz naqueles momentos. Pensando nisso, após a morte do marido, o que impactou ainda mais sua saúde mental, Dona Fátima decidiu abrigar cada vez mais animais no quintal da sua casa. Agora, mesmo com todas as dificuldades, o amor pelos bichinhos é o que continua dando forças para viver. 

Após eu ter perdido os meus filhos, eu fazia um tratamento com uma psicóloga para que eu parasse mais de chorar e pensasse menos neles, porque não tinha dado certo, Deus não tinha aceitado, então eu fazia as sessões e eu sofria muito. Na época, eu já tinha uns 15 animais. Foi quando a Doutora perguntou a mim se eu gostaria de aumentar mais os animais para ver eles brincando e aquele negócio todo. Brincar com eles, ir para o quintal, colocar comidinha, brinquedinhos e ficar uma hora fazendo terapia com eles. Isso me deixava feliz”, desabafou a cuidadora. 

Aí tomei a decisão, falei com o meu marido da época que eu iria resgatar mais animais de rua para ajudar eles a serem felizes. E comecei a resgatar os animais de rua, levar no veterinário e cuidar das sarnas, das feridinhas e das doenças que eles tinham.  Levar no veterinário, comecei a cuidar e tudo. Os próprios animais me ajudavam a curar da tristeza. Eles me deixavam mais feliz quando eu os via brincando, ficando bem, começando a crescer, começando a ficar curado das doenças. Então deu tudo certo, daí foi aumentando mais e mais e eu fui ficando mais entusiasmada e fui gostando mais de pegar os bichinhos sofridos, né? Porque as pessoas só gostam dos animais quando estão bem, né?”, revela Dona Fátima. 

Iaraci Melo é uma das poucas voluntárias que atua no abrigo e está há mais de 10 anos no lar. Atualmente, ela é responsável pela coordenação do abrigo, já que Dona Fátima precisa de um cuidado especial, por causa do problema no joelho. Hoje, é Iaraci quem cuida da divulgação e da arrecadação de dinheiro e alimentos para os pets. 

O trabalho de resgate e cuidado de animais requer muito esforço e dedicação. Não é fácil cuidar de tantos bichinhos, alimentá-los e mantê-los saudáveis. Iaraci conta que essa situação é muito complicada já que o lar depende, exclusivamente, de doações e do dinheiro da fundadora para se manter de pé. Sem nenhum tipo de ajuda ou benefício, manter o abrigo funcionando e todos os animais em boas condições é uma corrida contra o tempo. Uma das poucas ajudas que recebe é a do professor de concursos, Wolmer, que realiza aulões beneficentes em prol do abrigo. Através das aulas, o professor arrecada alimentos e doa para o abrigo de Dona Fátima. 

Eu sempre faço aulões beneficentes e nessas aulas eu sempre compro alimento. Eu sei que é muito difícil para Dona Fátima manter toda aquela estrutura com o que ela ganha. Então, eu sempre faço ações para ajudar a dona Fátima na manutenção daqueles animais. Isso é feito às vezes mensalmente, semestralmente, mas sempre eu tô ajudando ela, porque eu gosto muito do trabalho dela. Acho o trabalho dela muito fantástico e eu sei que ela precisa de ajuda, né?”, comenta o professor. 

As dificuldades de manter o abrigo 

No abrigo, sempre que chove é um transtorno. Isso porque o telhado está deteriorado e as goteiras adoecem os animais que precisam de cuidados especiais. Natal não é uma cidade que aguenta fortes chuvas. A situação na Zona Norte, por ser uma região ainda muito negligenciada, é ainda pior. Em novembro de 2023, choveu mais de 240 milímetros em apenas 24 horas, o que resultou em alagamentos e destruição em diversos bairros da região. Houveram alagamentos, crateras e pessoas que perderam tudo nos bairros de Potengi, Lagoa Azul, Igapó, Nossa Senhora da Apresentação, Pajuçara e Redinha. 

Outra queixa da coordenadora, é a falta de conscientização da população que abandona cães e gatos na porta do abrigo.

“Temos um grande problema porque as pessoas acham que aqui é um depósito de animais. Só se lembram daqui quando querem abandonar um bichinho doente ou machucado”, lamenta a tutora.

Por esse motivo, Iaraci e Dona Fátima preferem não divulgar a localização do abrigo, porque quando isso acontece, as pessoas passam a abandonar mais animais em sua porta. Mesmo com amor e dedicação, cuidar de muitos animais ao mesmo tempo e sem uma estrutura adequada, pode trazer vários problemas tanto para os pets quanto para os cuidadores. 

Atualmente, Dona Fátima precisa arrecadar dinheiro para reformar as paredes da casa e ampliar o gatil, que é o local onde os gatos dormem. Além disso, ela precisa se preocupar em comprar rações, remédios, água e brinquedos para os animais. Sem mencionar seus próprios problemas de saúde.

Quem quiser ajudar o abrigo, é só doar qualquer quantia para a chave pix 84998322950. Além disso, qualquer pessoa pode se tornar um voluntário do abrigo ou doar alimentos, remédios e até alguns materiais de construção, como Telhas Brasilit. Para isso, basta entrar em contato com Iaraci Melo através do seu número de whatsapp: 84998322950.

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Essa reportagem faz parte do projeto "Saiba Mais de perto", idealizado pela Agência SAIBA MAIS, e financiado com recursos do programa Acelerando Negócios Digitais, do ICFJ/Meta e apoio da Ajor.

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